sexta-feira, agosto 04, 2006

Mishima e documentarios

Hoje terminei de ler Mar Inquieto, do Yukio Mishima. É um roteiro básico e batido: simplesmente uma linda historia de amor entre a rica mergulhadora Hatsue e o pobre (e corajoso) pescador Shinji, moradores de uma ilha perdida em Ise, no Japão. Muitas lagrimas, dificuldades e promessas de amor eterno. Em resumo, um livro facil de ler, bem distante dos outros textos do Mishima; vou ver se dou mais sorte na semana que vem. Mas foi uma leitura agradavel. =)

Alias, segunda começa um curso que eu vou fazer, sobre a arte japonesa pós-anos 90. Será bacana!! Bom, hoje foi uma sexta-feira de muuuuito trabalho. Acordei cedinho e fui direto ajudar na cabine de imprensa da Mostra de Documentarios. Pena que metade dos jornalistas confirmados nao foram, mas o azar é deles, pq foi muito legal!! Era um documentario sobre a carreira do Yasujiro Ozu. Achei legal os planos bem trabalhados, e os segredos dos roteiristas, cenografos, cameras, para deixar tudo com aquela cara de "Japão".

Tambem matei saudades de Okinawa, assistindo o documentario do Yoshimasu "Thousand of Islands". Ah, só de ver aquele mar lindo, todo azul cobalto, e o azul do céu de Okinawa, ah, só isso já faz qualquer espirito sentir-se mais tranquilo!! E o filme mostra tambem a resistencia cultural dos okinawanos, pelo viés de um poeta, contra a dominacao dos EUA. Achei bem surrealista, porque a gente vê o filme com os olhos do poeta. Recomendo!!

Nisso, eu nao tinha tomado café da manhã e já eram 3 da tarde. Se eu nao comesse algo rapidamente, ia desmaiar por causa da pressao baixa (hehe), entao fui almoçar no Rancho da Empada, comi saladinha e uma empada de camarao e um risolis de queijo minas; e tomei Fanta Laranja. Ai, como é boooom comer!! Ainda mais uma empada tao boa!! A melhor de todas!! =)

Bem, na parte de trás da Fundacao, está instalada (literalmente) uma familia com mae e 2 filhos que ficam pedindo esmolas. Eles nao pediram esmolas pra mim, talvez pq eu tenha cara de pobre (ou de brava - hihihihi). Mas eu acho um crime termos tantas crianças nas ruas. Quando eu era criança, a cidade nao era assim. Juro!! Nao é coisa de saudosista nao, até pq eu passo longe dessas convenções. A situacao no Brasil é que vai de mal a pior.

É um crime, uma falta de responsabilidade, deixarmos tantas crianças abandonadas ao relento. Se nao cuidarmos delas, elas podem virar adolescentes mal-ajustados, e adultos contraventores no futuro. Alias, isso é o que nao falta no Brasil: contravenção. Se os nossos grandes politicos dessem algum (bom) exemplo, talvez eu ainda tivesse alguma esperança nessa area. Mas infelizmente, nao tenho. Vieram pedir ajuda pra mim com uma candidata a deputada, e pulei fora na hora. Nao tenho esperança em politica. Por opção profissional, prefiro ficar bem longe.

Jornalista, em si, já é uma pessoa desapontada com muita coisa, ou diria melhor: desiludida, sem utopias. Procuro nao ficar amarga, manter a AMP. Mas nao dá pra ser neutro vendo toda essa palhaçada nos jornais, radios e TV´s. Os caras roubam R$ 70 milhoes numa boa, e ainda choram em frente às cameras quando sao presos?? Ah, tenha dó!!! Enquanto isso, quantas crianças estao passando necessidade, quantos idosos nao conseguem medico, quantos pais de familia nao tem trabalho?? Será que esses ladroes nao pensam nisso?? Ou pior, nao se importam??

Nessas horas eu penso: puxa vida, eu me esfolo, me sacrifico, me dedico de coração a tantos projetos, mas cadê o resultado prático de todo meu trabalho? Cade o impacto social das nossas ações? Estamos de fato ajudando a construir um Brasil melhor? Quantas crianças eu ajudei? Quantas pessoas de fato eu ajudei, fora quem me rodeia?

Puxa, tem horas que fico pensando nisso, e meus pensamentos ficam meio sombrios. Fico com medo da gente (comunidade) estar olhando só o proprio umbigo, e esquecendo de tudo que nos rodeia. Alias, é isso que sinto. Nossos projetos acabam desconectados do Brasilzao. Sei que qualquer boa açao vale a pena, se a alma nao é pequena. Mas eu queria fazer algo pelo Brasil, sabe? Putz, putz, papo muito serio para sexta-feira a noite. Depois continuo. Bjs.

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