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Naoru yo...naoru...

Hoje trabalhei bastante na divulgacao dos eventos dessa semana (como sempre, alias, porque sou worklover). Vamos ver o resultado. Almocei curry com L. no Centenario, trabalhei mais um pouco.

Depois fui assistir o filme "O Cinema de Ozu na visao de Kiju Yoshida", que foi iniciado com uma palestra muito interessante da L. Nagib sobre o cinema japones.

O documentario do Yoshida é muito poetico e bonito, e ficou especialmente lindo com a narracao sensivel da M.. Ozu trabalhava a repeticao e os descompassos para mostrar que o cinema é só uma ilusao da realidade. Mas uma ilusao muito bela.

Quando passou o trecho de Tokyo Monogatari em que o marido cuida da esposa doente, depois que eles voltaram da viagem a Tokyo, percebi algo que a M. tinha comentado, mas que nao percebi direito quando assisti o filme pela primeira vez. O marido cuida da esposa doente com todo carinho, mesmo sendo aquele tipico maridao japones. E fala que os filhos estao chegando para vê-la.

Dai ele repete bem baixinho: naoru yo...naoru yo...naoru...naoru...(vai melhorar, voce vai melhorar, melhorar, vai melhorar...). Mas ele repete a palavra sempre com entonacoes diferentes, cada vez mais melancólicas, e voce vai percebendo, mesmo sem ele falar, que já nao há mais esperança. A esposa dele vai morrer, e nao há nada a ser feito. É um momento emocionante, construido com a tecnica do Ozu.

Na semana passada, esqueci de falar do evento do Gozo na Casa das Rosas. Ficou tao lotado que nao tinha lugar pra sentar. Pra falar a verdade, nao tinha nem como entrar na sala, de tao lotada!! Eu só vi as cabecinhas na minha frente, nao consegui entrar na sala, fiquei de fora. Nunca vi um evento de literatura tao concorrido assim, na minha vida toda. Um sucesso absoluto. Beijos.

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