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Ovelhinhas teleguiadas

Uma guerra iminente em Israel. Policiais morrendo e matando. Crise econômica no mundo todo. E a Veja dessa semana estampa na capa a porcaria da moça que vendeu a virgindade, o que além de ser uma noticia idiota, é uma noticia velha, porque o hype em torno dessa idiotice já passou faz um mês mais ou menos - o que é uma eternidade em termos de Internet.

As vezes eu tenho vergonha de dizer que sou jornalista, porque tem momentos que sinto muito desgosto ao olhar o trabalho dos meus colegas de profissão. Isso em geral, não apenas falando da revista Veja, que sempre foi a revista mais "sem noção" das coisas. De qualquer maneira, a publicação mais lida do país deveria ter mais responsabilidade nas capas que decide estampar, porque cada capa mostra uma posição política, ética e social da publicação.

Por isso mesmo, acho um absurdo dar publicidade gratuita pra esse assunto tão vazio e supérfluo, e não falar de tanta coisa que está acontecendo no Brasil e no mundo. Nesse momento, crianças e jovens estão morrendo na periferia de São Paulo, e todos os dias de manhã os jornalistas vem reportar na TV: "hoje foram 3 baleados e 2 mortos no bairro tal, tal e tal, houve chacina no bairro tal". O que é isso?? Estamos vivendo num mundo bizarro?? São crianças, são jovens, são adultos, são seres humanos!! Cadê a indignação das pessoas??

Estão tentando banalizar essa onda de crimes que vem acontecendo, sem refletir, sem contra-argumentar, sem questionar a versão oficial, tentando fazer com que todos se resignem com a situação absurda em que nos encontramos. O jornalismo é questionamento. O jornalista deveria levantar questões, pesquisar dados e possibilitar que o publico chegue a suas próprias conclusões. Porque hoje o que temos é uma massa de ovelhinhas teleguiadas. Quem comanda as ovelhinhas? Eu posso ser muita coisa, mas não sou uma ovelhinha resignada. Bjs.

Comentários

  1. Erika, a revista coloca na capa aquilo que os editores acham que tem chances de avalancar as vendas. - Mesmo que seja um assunto batido ou nem tão interessante, se o editor acha que é o correto, não tem outro jeito!

    Sei bem como é isso... Mas no final (como sempre), o lado financeiro sempre fala mais forte.

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