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Regras para ajudar os outros...

A vida tem dessas coisas. Hoje conversando com a P, descobri que eu NÃO devia ter ajudado os dois bêbados na balada! Que eu devia é ter deixado ambos curtirem sua fossa e bebedeira e deixado eles sozinhos e me divertido. Por quê? Pelos 3 motivos básicos para se ajudar alguem, que eu achei que tinha aprendido (infelizmente, parece que ainda nao)...

1) a pessoa pediu ajuda? R: nao
2) a ajuda foi boa para mim? R: nao
3) a ajuda foi boa para a pessoa? R: sim


Ou seja, são 2 não e 1 sim, oque demonstra que eu não devia ter ajudado, que não era meu problema, que eu intervi na ordem natural das coisas novamente, nessa minha arrogância sobrehumana. Os bebadinhos não estragaram a minha noite, eu mesma escolhi estragar a minha diversão e cumpri esse papel à perfeição, aliás como tudo que eu faço kkkk....se é pra fazer as coisas, eu faço perfeitamente, com toda pompa e circunstância!

Dai eu perguntei pra P. "Mas se a pessoa está caída no chão, lá na sarjeta, toda zoada, eu nao devo ajudar?" E ela falou. "A pessoa pediu ajuda? Ela falou 'Erika, me ajuda a levantar?'. Se nao pediu, não é pra ajudar, é pra deixar a pessoa lá no chão! Ela não é seu problema, cada um carrega seu próprio problema!". Palavras da P. Juro!

Nossa, isso foi um belo ensinamento/insight pra mim, porque eu gosto de cuidar dos outros (virginianos em geral se sentem bem quando sao úteis ao mundo). Mas eu não tinha pensado por esse lado, que quando eu interfiro em uma situação, estou mudando vários caminhos possíveis, estou mexendo no futuro da pessoa, estou alterando a realidade futura!!

Pq a pessoa tem plena consciência de que não pode sair por aí chapando o coco. Se ela tomou todas, então tem que ter consciência de que vai ficar bebaço e depois terá uma ressaca (fisica e moral) daquelas. Nao cabe a mim impedir nada, eu preciso me convencer de uma vez por todas que não sou super heroína, protetora dos fracos e oprimidos e/ou defensora da humanidade contra as mazelas do mundo. Não é desse jeito que vou mudar o mundo!

Se a pessoa bebeu e ia dirigir, se batesse o carro, se fosse presa na lei seca, a responsabilidade não seria minha, é dela mesma, que bebeu todas, escolheu beber, e sabe dos efeitos da bebida. Eu não tinha nada a ver com aquilo, não devia ter me envolvido!! Se a pessoa misturou todos os tipos de pinga, ficou deprê, chororô e dando vexame, eu devia ter deixado a pessoa curtir essa fossa, e não tentar fazer ela se sentir melhor. Porque a deprê era importante naquele momento pra ela!! E eu não percebi isso!!

Eu devia ter deixado a pessoa viver o que era destino dela (no caso, passar mal sozinha, chorar, gritar, dar piti, brigar, etc) porque era uma lição importante pra ela, que eu não deixei acontecer com a minha interferência no destino dela. Por minha própria incapacidade de enxergar meus limites de ação no mundo, minha arrogância natural de achar que eu posso consertar as coisas. Sim, porque as pessoas que acham que realizam muita coisa, como eu, acabam invertendo papeis e atuando além da conta. Eu devia ter deixado os bebadinhos em paz e ter ido curtir minha night. rsrsrrsrsrs....

Pelo menos dessa vez aprendi (acho) e vou poder curtir mais minhas baladas sem ser psicóloga, enfermeira ou assistente social. E só vou ajudar alguem que nao peça ajuda se for uma emergência na minha frente, tipo em casos de acidente de carro!! Porque quando a gente ajuda quem não pede nossa ajuda, o que acontece é que nossa ajuda não é valorizada, e é até mesmo criticada ou esquecida! Acredita nisso? Pensa nisso!

P. agora que eu vivi esses dois casos de perto, eu creio que compreendi a mensagem plenamente. O que é dos outros é dos outros, eu nao posso mais carregar o peso dos outros. É que na minha vida toda eu carreguei tanto peso, que hoje, me sentindo mais leve, acabo pegando o peso dos outros emprestado de vez em quando. Mas nao vou mais fazer isso. Na proxima balada ou passeio, se ver um bêbado vindo em minha direcao, eu vou correndo pro outro lado! Kkkk...

Ah sobre outros assuntos aleatórios, uma pessoa que foi muito importante pra mim há tanto e tanto tempo atrás me adicionou no Facebook, do nada. Foi engraçado porque nao pensava nessa pessoa há anos e anos, precisei pensar "quem é?", afinal, nessa epoca eu era uma outra Erika, uma outra vida, eu era taaaaaaao boba (continuo sendo aliás hahaha). Achei interessante justo nesse dia de conversa com a P, pensar no passado, aceitar o que já foi, e fazer o melhor futuro com a melhor Erika que eu posso ser - de preferencia sem bêbados no meu caminho. Beijos!

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