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Mulheres que amam demais

"There are as many loves as there are hearts". Leon Tolstoi.

Fui assistir Anna Karenina. O filme é belíssimo, teatral, colorido, sensual e arrebatador em algumas cenas. De repente é um teatro, que vira uma estação de trem, que vira um campo gelado, que vira um salão de baile e depois uma mansão e retorna à ópera. É um visual que encanta e fascina, um recurso ousado e muito bem utilizado na produção. A cena dos cavalos é impressionante. O baile é lindo!

Anna Karenina é um épico, que admito não ter lido, porque Tolstoi e Dostoievski são um pouco "depressivos" demais para o meu gosto literário. A história vai sendo apresentada aos poucos. Primeiro a Anna, seu marido, seu filhinho...e entao ela vai para a cidade e conhece o lorde Vronsky. E este é o início do fim para ambos.

Eles se apaixonam, acham que se amam, fazem escolhas terriveis em nome desse amor e vivem as consequências dessas escolhas. Um ponto importante que o filme mostra muito bem é que somos 100% responsaveis pelas nossas decisões. A Anna tinha todas as condições para abdicar desse sentimento, e o amado capitão também. Ela quase morre por esse amor, e persiste mesmo assim. Eles escolhem ficar juntos, destroem suas vidas (e de outras pessoas) e pagam o preço por isso.



"Voce não pergunta o porquê de amar. Você ama", é o que diz o Vronsky no comecinho do romance. Tudo lindo de inicio, flores, felicidade, beijos...mas com o passar do tempo, o preço que eles pagaram para ficar juntos começa a ficar muito pesado, e o que acontece? Ela começa a culpar o amante. "Se voce me amasse, nao teria feito isso. Se voce se importasse, faria isso". E ele também culpa a Anna, e ao mesmo tempo, se sente terrivelmente culpado por tudo. Em suma, é um relacionamento martirizante e repleto de culpa, como tantos que vemos por aí. É natural do ser humano.

A Anna esqueceu quem ela era, o que era importante para ela, tudo isso para ser amada pelo Vronsky. Ela amou demais o Vronsky e por isso não pensou nos filhos, no marido, na familia, nos amigos, na sociedade, jogou tudo para o alto, em nome do tal "amor". Para o Vronsky, o preço pago não foi tão alto como a Anna. Ele se prejudicou, talvez tenha amado, mas a sociedade machista acaba redimindo os homens e crucificando as mulheres. 

Em outro nucleo do filme, o Konstantin ama a Kitty, que ama o Vronsky e é abandonada. Durante um jantar, Konstantin fala do que ele considera um amor puro. Amor para ele é sagrado, o desejo é profano.  O amor não precisa de duelo, discussão ou desentendimento. O que eu entendo hoje é que amor é um sentimento que não causa sofrimento. 

Amor é alegria, respeito, harmonia, equilibrio. Fora isso, pode ser muita coisa, mas nao é amor. A história progride, Kitty e Konstantin casam-se, vão morar no interior e são felizes. Anna perde a vontade de viver e tem um final tragico. Sentimentos em suas mais variadas formas. Recomendo o filme. E na minha opiniao, essa musica da Rihanna se encaixa com o filme, fala justamente desse tipo de "amor" que nao se entende, nao faz sentido, vai, volta. Eu gosto principalmente desse verso. (love) "it´s not something you take, it´s given". Bjs.


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