sábado, março 23, 2013

Negociação combinada

Eu não costumo falar muito sobre o que eu acho / sinto / vejo sobre o cenário da comunidade nikkei, fora das minhas conversas com meus amigos (amigos de verdade), porque eu já abri minha opiniao antes (quando eu era mais boba ou mais ingênua), e os comentários foram parar até nas redações de jornal (tudo absolutamente fora de contexto, lógico. Jornalistas: ÔOOO raça!!! kkkkk).

Claro que eu tenho uma posição super privilegiada, porque estou dentro de duas das principais entidades da comunidade, acompanhando o dia-a-dia dos projetos, e muitas vezes tocando esses mesmos projetos. E além disso estou todos os dias convivendo com a comunidade, então sou uma observadora atenta. Também costumo ler os jornais japoneses (confesso, leio a pagina em portugues pq tenho muita preguiça de me esforçar pra ler as paginas em nihongo, mas quem sabe um dia).

E esses dias tinha uma matéria falando sobre as eleições pro Bunkyo, que é o período que estamos atravessando atualmente. A oposição, cujos membros eu conheço, pediu alguns cargos de vice-presidencia na chapa da situação (que eu também conheço), para criar uma chapa de união. A situação nao aceitou a proposta, nao aceitou os nomes propostos, e daí, o velhinho da oposição falou: "então, a conversa parou por aqui. Torcemos para que façam um bom trabalho". Eles não vão apresentar uma chapa de oposição, até porque pelo sistema atual de eleição, é praticamente impossivel para uma oposição vencer. Bem maluco não?

Da maneira que eu vejo, trabalhar sem criticas, sem questionamento, sem oposição, faz com que a gente fique acomodado na zona de conforto, sem se esforçar, sem progredir. Talvez não seja bom dentro de casa ou na sua empresa, mas a oposição é saudável e necessária para um bom equilibrio democrático, ainda mais quando falamos do futuro de uma comunidade. É chato? Sim, concordo, mas a oposição é importante para que a situação saiba se está indo no caminho certo ou se precisa acertar o rumo.

Nessa história toda, os velhinhos da situação mais uma vez vão sair como 'ranhetas', e os velhinhos da oposição como 'enxeridos'. Mas não custava nada para a atual diretoria ter escutado com mais carinho a proposta e os nomes que foram apresentados. Se não dava para aceitar todos os nomes como vice-presidentes, que aceitasse um nome pelo menos, e negociasse cargos de diretoria, presidência de comissão, zelador do condominio, sei lá. A Dilma tem que fazer isso todos os dias não é? Infelizmente, em uma democracia, é necessário construir e combinar acordos.

Outra coisa: se realmente não dava pra aceitar os nomes propostos por um motivo ou outro, a diretoria atual deveria ter tido mais carinho e sensibilidade na hora de anunciar que não iria aceitá-los, perante a imprensa (e consequentemente, à sociedade). Talvez seja pedir demais um pouco de inteligencia emocional e habilidade no trato com a imprensa, porque ficou uma impressao que os nomes propostos não eram suficientemente "bons" para compor uma diretoria do Bunkyo, já que nao houve 'manifestação favorável', segundo saiu publicado no jornal. Eu conheço esses velhinhos e sao pessoas muito boas. Devem ter se sentido muito desmerecidos e incompreendidos quando lêem uma matéria assim publicada no jornal. Era um acordo fácil de fechar, uma negociação ganha-ganha para os 2 lados.

Eu sei, eu sei, no final, tudo isso pode ser resumido em uma palavrinha curta mas forte: EGO. Para nós, que somos da ala jovem, independente de cargos, comissões, titulos ou comendas, o que a gente busca é ajudar o mundo, nao importa a quem. Eu não preciso de um cartao de visitas escrito "Erika Yamauti - vice presidente de nao sei o quê". A maioria dos meus amigos tambem não. Lógico tem gente que precisa mais, e quem precisa menos dessa purpurina. Daí depende da (in)segurança de cada pessoa. Mas pra gente, um cartão de visitas não faz uma pessoa maior ou menor. Essa é a minha opiniao, eu não busco o brilho efêmero, mas quem sou eu para julgar o gosto dos outros pela purpurina?? Cada um faz seu caminho na vida. Bjs.

Um comentário:

  1. Concordo, já não é um grande número de pessoas que continua envolvido, e a impressão é que eles não possuem uma visão a longo prazo. Segregam cada vez mais, até que não vai sobrar ninguém.

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