quarta-feira, novembro 19, 2014

Super-estressada??

Esses últimos meses tenho me esforçado muito...pra viver! Tenho viajado, passeado, estudado e me divertido bastante. Estou levando uma vida mais zen. Estou me esforçando seriamente na busca de uma vida mais bacana. Por isso, nao entendi até agora oque aconteceu...

Tomava café tranquilamente com a P (sendo que ela ficava me inquirindo sobre o meu mau humor, que na verdade era só uma TPM bem braba). De repente, falei pra P: "sabe, estou sentindo um incomodo no pescoço". Isso era à tarde. De noite, eu ja nao conseguia mais virar o pescoço! Na manha seguinte, eu não consegui levantar direito! Muito estranho: o meu corpo não parecia realmente meu! 

Ainda fui teimosa por mais dois dias, suportando uma dor insuportável, com o agradável aroma do Salompas empestando minhas lindas roupas, e sendo uma bruxinha malvada com todos os (pobres coitados) que me rodeiam. Parecia um bichinho encurralado na toca. Sabe aquele cachorrinho machucado, que fica tentando morder pq sente dor?? Era eu!! Por fim, não aguentei e fui procurar socorro com o S. Diagnostico: estresse. Fala serio??? Serio mesmo???

Gente, eu sou uma pessoa que sobreviveu a 4 anos de Centenário! E também a 10 Festivais do Japão! E muuuuuuuuito mais coisa bacana e difícil. Pra mim, é um mistério surpreendente. Como algo assim, tão grave, pode ter acontecido em um momento de baixo estresse?? Esclareço que estou acostumada com um nível de estresse moderado na minha vida diária, então o ritmo de agora, na verdade, não considero puxado!

Dai, o S me explicou que o estresse se acumula na mente, e chega um dia em que o corpo simplesmente não agüenta mais. Portanto, por mais forte e estruturada que eu me considere, não sou a mulher-maravilha. Trabalhar cuidando de três clientes, estudar japonês, mandarim e espanhol e fazer as coisas do meu dia a dia está muito puxado. Ainda de acordo com o S, eu não posso ficar me cobrando (já fui beeeeeeeeem pior), preciso perdoar (perdôo sempre) e esvaziar a mente (hahahaha esse é mais difícil)!

O tratamento requeriu três sessões de técnicas muito engenhosas de massagem, produzindo ruidosos estalos na minha coluna - experiência inédita na minha vida. Confesso que foi complicado cumprir o período de descanso moderado que ele me propôs. Ficar sem mexer no computador, sem fazer lição e sem anotar as coisas no caderno, foi muito ruim pra mim! Por outro lado, coisas legais acontecem! Refleti sobre os motivos que me levaram a essa dificuldade e agora estou bem, e isso que importa! Agora estou curada e retornando ao meu ritmo normal (e estressado) de vida! Bjs!

terça-feira, abril 29, 2014

Vivendo num mundo sem amor

A gente recebe e retribui o amor que acha que merece. Eu acredito nisso. E fico muito triste e assustada com as noticias de violência assoladora que acompanho todos os dias. Sim, eu digo que não sigo mais as noticias, que não leio mais jornal, porém, sou jornalista, e por mais que as noticias sejam sempre as mesmas (ou piorem a cada dia que passa), acabo acompanhando de longe. Sempre muito chocada. Sempre triste.

A moça que foi assassinada pelo namorado em Curitiba, a outra no Rio, outra em Sao Paulo. O medico nikkei, o menino Bernardo, a Claudia, o Amarildo, o DG, o Brian, a Mercia, a Taina, entre tantos e tantos casos que nao dá nem pra citar aqui. Todos os dias, parece que o crime é cada vez mais banalizado, a violencia impregnou nosso dia a dia, fez o mundo ficar mais escuro e brutal. Eu amo o Brasil, mas tem horas que perco a esperança em ficar aqui e ajudar as pessoas.

Esses dias a minha amiga falou de meninos da febem. Como ensinar amor para alguém que nunca foi amado, nunca foi desejado? Como é a existência de alguem que está cheio de ódio, raiva e coisas ruins por dentro? Alguem que quer machucar o outro, simplesmente porque foi machucado?  Como podemos consertar isso?

Penso que talvez exista uma espécie de loucura generalizada que está assolando o Brasil, pq a violência está crescendo assustadoramente, em todos os níveis, resultado da falta de respeito pela vida, pela familia e pelas pessoas. E infelizmente, na minha opiniao, jornalistas e a midia tem a sua (ampla) parcela de culpa nisso.

Porque quando a gente, jornalista profissional, faz uma matéria sensacionalista sobre o maluco criminoso que algemou a namorada, atirou e matou ela e depois tentou se suicidar, estamos sem querer alimentando idéias perversas e fantasias tresloucadas na cabeça de gente fraca, instável e desequilibrada. 

Porque a TV é um meio que nao tem filtro, atinge qualquer um que esteja com o aparelho ligado. Por isso é necessario ter mais responsabilidade! Contextualizar a noticia, mostrar todos os lados. Procurar um especialista dizendo que esse tipo de gente é doente e precisa se tratar com urgencia. E tb mostrar que mulheres nao podem e nao devem tolerar relacionamentos abusivos. Enfim, estamos criando uma geração de pessoas frageis, descontroladas (e emburrecidas).

Uma pesquisa do SESC mostrou que 93% dos entrevistados nao tem interesse em assuntos culturais. 71% nunca foram ao teatro, 61% nunca entraram em um museu e 58% não leram um livro nos últimos seis meses. Desse jeito, fica dificil fazer milagre. A TV acaba sendo um meio de "educação" para o povo, cumprindo um papel que a escola e a familia nao conseguem cumprir.

O problema é quando uma novela das nove tem caras de 40 anos nojentos, com idade mental de 12. Cenas de estupro e humilhação em horario nobre. Mulheres que se permitem ser pisadas, massacradas, machucadas por homens abusivos. E trata-se de uma "obra de arte" assistida por 20 milhões de pessoas, perpetuando preconceitos e destilando uma ideologia de culto à violência. Cadê o amor nesse Brasil tao lindo? Tem coisas que simplesmente nao entendo. Espero que amanha acorde mais esperançosa. Bjs.

domingo, abril 27, 2014

Reuniao com tubarão

Eu sou uma pessoa muito meticulosa, pratica e organizada. Quer que eu odeie uma pessoa, mesmo que seja só um pouquinho? Simples, é só essa querida pessoa marcar uma reunião comigo de ultima hora, no mesmo dia. Porque a minha agenda é TODA feita com antecedência, eu planejo minha semana, planejo cada dia e o que vou cumprir em cada dia em termos de metas e objetivos. Gosto de dar um "check" nas tarefas cumpridas no fim do dia. Sou assim: sou planejadora. Tenho plano A, B e C pra tudo.

Nesse cenário tao perfeitamente calculado, um compromisso de ultima hora altera toda minha rotina mental, e daí, acabo extremamente irritada. Entao se eu for realmente obrigada a ir em uma reuniao assim (sim, porque meu mundo não é cor de rosa, e assim como vc, tenho que engolir um monte de sapos), eu vou sair com pedras na mão, irritada, seca e nada disposta para uma negociação. 

Esse mês tive uma reuniao assim. Eu fui lá praticamente obrigada. E foi uma ocasião bem ridícula, pq a pessoa só chamou a gente pra vomitar verborragicamente um "blá bla bla" interminável por mais de uma hora, sem nem ao menos ter a humildade de parar pra nos escutar. Algo do tipo "não fala, só me escuta, que eu sou o certo". Parecia que eu estava falando com uma pessoa surda! Foi incrível mesmo...me assustei porque é inacreditável o nível de egocentrismo que as pessoas podem alcançar nesse mundo louco!

Tive um treinamento da Dale Carnegie sobre técnicas de negociação nesse mês, e foi otimo, aprendi varias técnicas, e antes disso, já me considerava uma pessoa muito eficaz no sentido de obter soluções negociadas. Mas nada me preparou para alguem que simplesmente optou por nao escutar nenhum dos meus argumentos. No fim, tive que buscar uma solução alternativa para o impasse, até para podermos ir embora de lá!

No treinamento, aprendi que as pessoas tem diversos estilos de negociação: carpa, tubarão e golfinho. Eu sou muito carpa, e preciso ser mais golfinho, o meu desafio pessoal será esse. Na reuniao, analisei que essa pessoa é tubarão controlador, e no treinamento, tb observei pessoas tubarão desse perfil, e sabe que...no fundo, sinceramente...fiquei com pena delas? 

Porque o tubarão quer caçar, quer abocanhar tudo sozinho, quer vencer a qualquer custo... E são pessoas com nível de inteligência emocional baixíssimo. Egoístas, imaturos, com problemas de relacionamento com as pessoas. Um tubarão pode até achar que está ganhando, que deu a ultima palavra, mas nao consegue compreender os custos emocionais dessa tal "vitoria". 

Na ocasião que estou falando, o tubarão até achou que saiu ganhando, mas na verdade, perdeu. Porque nao sabe trabalhar em conjunto, nao tem espirito de equipe, nao tem humildade. E como alguem  cresce assim, sozinho, nesse mundo? Bjs.

segunda-feira, abril 21, 2014

Alergias e alegrias

Sou uma pessoa extremamente alérgica a algumas coisas simples e bonitas da vida. Por exemplo, brincos. Meus brincos lindos de aço cirúrgico estão me machucando, talvez por causa do calor, ou da umidade, ou algum fator misterioso. Entao decidi testar um daqueles brincos de farmácia, pequeninos, de bebê. Fui lá e escolhi um modelo. Putz, que decisão mais idiota!

Ja no primeiro dia, o treco começou a me incomodar, mas na bula estava escrito para ficar com o brinco, então eu (muito pouco inteligente) persisti, e consegui suportar o incômodo umas duas semanas. Mas chegou um dia em que não agüentei mais, estava inflamado, saindo pus, vermelho e doendo. Tirei fora aquela pecinha hiper contaminada e achei que ficaria bem. Ledo engano: piorou!!!! Hahahahaha....

No dia seguinte, a minha orelha parecia uma couve flor!!! Acho que a inflamação estava contida no brinco e depois se espalhou por toda região auricular, tudo que era possivel e imaginável kkkkkk....e fiquei simplesmente desesperada!! Fiquei desinfetando, mas parece que só piorava. Consegui marcar medico, mas para a semana que vem, então acabei fazendo algo que não gosto muito de fazer, pq por principio, não gosto de automedicação. Fui na farmácia e expliquei meu caso para o farmacêutico.

Ele me deu bronca, "moça, voce não devia ter ficado com o brinco na orelha. Você também não deve esperar até a semana que vem, passa esse xxxxxx que vai melhorar". Graças a deus (e ao bom moço), o remédio conseguiu parar a inflamação e não estou mais parecendo um hobbit!! E isso tudo teve um lado bom, porque marquei todos os meus medicos para esse mês e farei meu check up anual.

Hoje estava na farmácia de novo, pq é um dos meus lugares favoritos, além de livrarias (ou seja, hipocondríaca e estudiosa = combinação perfeita kkkk). E a atendente estava contando do caso de uma moça que vai lá na loja. Em teoria, a mulher só pode tomar "pílula do dia seguinte" uma ou duas vezes ao ano, porque esse negocio é forte e dá um revertério no organismo da mulher. Mas essa moça está tomando duas vezes por MÊS, como método contraceptivo!! Ou seja, é louca e está acabando com a propria saúde. Moça, toma pílula, injeção, usa diu (ou simplesmente camisinha né!!!). 

Eu nao sei se as farmácias podem vender pílula do dia seguinte sem receita medica (nao deveriam), mas como a eficácia dela diminui a cada dia que passa, imagino que é possível comprar com muita facilidade, porque tem que ser rápido. Mas marcar medico de um dia pro outro, aqui no Brasil, é uma missão impossível (olha o meu caso da orelha de hobbit: se fosse esperar minha consulta direitinho, teria virado um brócolis!!).

Mas na verdade, ja tomei pílula do dia seguinte há uns anos. Aconteceu que um dia, eu surtei e decidi que precisava porque precisava tomar a pílula, e como foi possível ilustrar no caso dos "brincos flamejantes", sou uma pessoa realmente teimosa quando quero. Entao fui lá no clinico geral e insisti, insisti, insisti, até que ele me passou a receita. Fui na farmacia, comprei o remédio, tomei, passei mal de cólica no dia seguinte, e depois de uns dias fui no meu medico. 

O mais engraçado é que quando a gente passa por uma consulta com seu medico, parece que as coisas voltam ao seu devido lugar. A primeira coisa que ele falou foi: "Erika, ok, voce tomou a pílula do dia seguinte, mas...e se voce ficasse gravida, qual é o problema?? Porque tem tanta gente, milhões e milhoes de pessoas, tentando ter um filho nesse exato momento, e nao conseguem. Se voce estivesse gravida, qual seria o problema? Voce tem saude, emprego, família, amigos, tudo. Voce pensou nisso?"

E a minha resposta, naquele momento, foi não.  Tinha esquecido de uma verdade tão simples como essa. Nao era o momento certo, nao era a pessoa certa, nao era nada certo, mas se eu tivesse ficado gravida, qual seria o grande problema? Se me faltasse dinheiro, trabalharia mais. Se me faltasse apoio, posso pedir ajuda da minha família. Amor, alegria e respeito não faltariam. Entao, hoje enxergo claramente que exagerei em uma coisa muito boba. Uma boa consulta medica faz toda a diferença, e espero que a moça citada acima consiga melhorar e ir num medico. Automedicação é ruim. Palavra de uma hipocondríaca! Bjs.

quinta-feira, abril 10, 2014

Pra que sofrer sozinho?


Foi uma coisa muito engraçada, porque nesses dias eu estava praticamente derramando lagrimas no escritório, desesperada por me deparar com tantas coisas pra fazer (além da TPM hahaha), daí o B simplesmente parou oque estava fazendo e me falou: "Erika, posso ajudar? Afinal, voce nao precisa sofrer sozinha!" (Pausa para muitos kkkkkkkkk....obrigada pela consideração B!!)

É incrível, porque eu sou uma pessoa (muito) inteligente, entao eu sei racionalmente que não preciso sofrer sozinha. Porém, acabo trabalhando muito sozinha, porque o meu escopo de trabalho é bastante especifico. Logico que sou uma boa lider e delego tudo que eu posso para outras pessoas (no caso, o B está apenas no segundo dia no escritorio. Daqui a alguns dias, ele vai estar tão ocupado quanto eu hihi...).

Mas na hora do "vamos ver", eu realmente sinto que estou sozinha. Sinto que a responsabilidade final é minha. Por isso ninguem fica comigo até 22:00 no escritorio vazio. Ninguem me acompanha aos sábados e domingos nos meus plantões. E nao estou me vangloriando do meu vicio em trabalho, porque sei que eu devia é me organizar melhor, ou mesmo me controlar melhor, para não trabalhar loucamente dessa maneira. Mas nao consigo!

Em essência, tudo isso é falta de planejamento da minha parte: em um mundo ideal, eu poderia cumprir minha jornada de horas diarias e conseguir cumprir as obrigações, descansando aos fins de semana. Estou construindo uma relação mais saudável com o trabalho, mas faltam menos de 90 dias. E com o esquema (pobre) que temos, é humanamente impossível me concentrar no evento sem ficar trabalhando de noite e aos finais de semana. 

Porque no horario do expediente, a gente acaba fazendo um pouco de tudo: atende telefone, carrega refrigerante, arruma mesa, tira copia, pega agua, prepara reuniao, acompanha a diretoria...tudo isso atrapalha o rendimento do trabalho, e nos obriga a sofrer um pouquinho mais pra fazer o evento com sucesso. De qualquer maneira, agradeço pela dica, B, pode deixar que nao vou mais sofrer sozinha. Vamos sofrer todos juntos que é mais gostoso!! Rsrsrsrsr...beijos!!

domingo, março 30, 2014

Lágrimas e chuva


Hoje foi um dia particularmente difícil pra mim. Precisava ir em uma missa de 49 dias e ando meio emotiva com essas coisas, por causa das fotos antigas do Seinen que andei mexendo e reflexões que tenho feito. Ainda bem que encontrei meus amigos por lá, e o pessoal do movi também, então foi tudo mais suave do que imaginava...

A missa reuniu muita gente e começou pontualmente. A gente chegou meio atrasado por causa da chuva forte que começou a cair sem aviso, no exato momento marcado para o inicio da missa. O barulho das gotas de chuva me fez pensar em lagrimas. Tomamos um pouco de chuva, mas sinceramente eu nao ligo muito (porque adoro chuva).

Enfim, sou realmente péssima para confortar as pessoas, porque não consegui realizar a homenagem que tínhamos pensado, e as palavras me faltam pra explicar o quanto essa amiga foi querida e importante na minha vida (e eu não consegui dizer isso pra ela). As minhas lagrimas não foram derramadas, porque eu sei que ela está bem e em paz. Isso que importa.

Encontrei um velhinho do Bunkyo e ele disse: "você não é do Bunkyo?", e eu respondi que sim, e que a A. tambem foi muito importante no Seinen Bunkyo. E ele, que é da diretoria da entidade, nem sabia que ela era voluntária (mesmo tendo encontrado ela varias vezes no prédio!! Afinal, o Bunkyo é um ponto turístico...). Enfim, velhinhos são velhinhos, sempre meio desligados! Temos que ter paciência com eles!

"A vida é muito importante.
É algo como uma pilha que faz o ser humano viver.
Mas uma pilha se gasta um dia.
A VIDA também acaba um dia.
Uma pilha pode ser trocada, mas a vida não pode ser trocada facilmente.
É algo que foi cedido por Deus depois de dias, meses e anos.
O ser humano não vive sem a vida.
Mas existem pessoas que jogam a vida fora,
Dizendo que não precisam mais dela, 
Mesmo podendo gastá-la bastante ainda.
Fico triste quando vejo pessoas assim
Pois a vida trabalha sem parar.
Por isso, até que a vida diga 'chega',
Vou viver ao máximo!"

Esse texto foi distribuido para todos e achei muito bonito. Tudo isso que aconteceu nos ultimos tempos me fez pensar (ainda mais) sobre o que é realmente importante em nossas vidas. Estou realocando as prioridades, colocando tudo em ordem, para que eu possa continuar vivendo ao máximo, feliz todos os dias, trabalhando, realizando meus sonhos e ajudando muita gente pelo caminho.

A nossa amiga era uma pessoa realmente muito querida, especial e iluminada. Agora ela está olhando pela gente lá de cima, distribuindo sorrisos, alegria e paz. Saiba que nunca vou me esquecer da sua luta. Inspirada em você, eu vou viver a vida ao máximo, agradecida por ter tido a oportunidade de conhecer alguém tão incrível como voce. Bjs eternos de alguém que te admira (e sente saudade).

sábado, março 29, 2014

Viciada (em franca recuperação)

Trabalho sempre foi um vicio gostoso pra mim (=virginiana). Trabalho remunerado, trabalho voluntário, tanto faz! Eu vivi assim por muitos anos, lembro inclusive de épocas em que tinha 2 empregos, ajudava no seinen e ainda estava na faculdade! Era uma pessoa um tanto estressada e me arrastava no metrô, dormia no ônibus, esquecia coisas e era muito chata. 

Ou seja, eu vivia completamente exaurida, e talvez me ocupasse tanto justamente para não ter que pensar na minha vida, refletir se aquilo estava me trazendo felicidade. Algumas pessoas são viciadas em drogas, outras em cigarro ou bebidas. O meu vicio, no trabalho, é mais simples e fácil de resolver. Hoje posso me considerar (quase) totalmente recuperada.

Eu digo "quase" porque imagina a cena: uma sexta feira, as 19:00 eu estava no escritório sozinha respondendo email, marcando reunião e anotando pendências da semana que vem, organizando minha agenda. E nisso recebi uma resposta do meu amigo (mais workaholic que eu). E pensei, "uma noite tao bonita, oque estou fazendo até essa hora no escritorio?"...Hahahaha...daí juntei minhas coisas e vim embora, e não trabalhei à noite!

Tenho me esforçado (muito) para não trabalhar em casa, até porque a minha vida profissional é repleta de sucesso, e sempre terei mais e mais trabalho pra fazer, então não adianta ficar trabalhando até o nível de burnout. No dia seguinte, tem mais coisa pra fazer, entao pq me estressar? Lógico, de vez em quando, tenho que trabalhar até mais tarde, ou de fim de semana, e tudo bem! Afinal, eu sei que com grandes poderes, vem grandes responsabilidades.

Por muito tempo, achei que a minha vida só seria realizada na esfera profissional, e sinto pena de mim, que vivi essa ilusão por tantos anos, e lamento pelas outras pessoas também, aquelas que perseguem um sucesso profissional ilusório, que na verdade, não traz felicidade. Finalmente entendi que o sucesso e a felicidade estão no equilíbrio entre os vários campos da nossa vida. E posso dizer com todas as letras: sou muito feliz!

Hoje eu consigo equilibrar muito melhor na minha vida o tempo para trabalho, saúde, família, amizades, voluntariado, estudos, diversão, relacionamento, realização de sonhos. Sei que viemos ao mundo com a missão de buscar a felicidade, fazer o bem para as pessoas. Definitivamente, nao estamos aqui só para trabalhar! O meu dia tem 24 horas, e agora, busco aproveitar cada minuto! Bjs!

terça-feira, março 25, 2014

Troublemaker!

A vida é muito engraçada. Os meninos me falaram de uma pessoa chata, disfuncional, prepotente, que causa problemas por onde passa, cultiva inimizades e se desentende com tudo e todos. Ninguem gosta dele(a), ou seja, trata-se de uma pessoa bem difícil (e olha que nós estamos acostumados a lidar com casos disfuncionais kkkkk). O dilema coletivo? Ele(a) tinha se inscrito pra ser voluntaria(o) no evento do fds. #comofaz?

Perguntinha básica: oque leva uma pessoa em sã consciência a freqüentar um lugar no qual as pessoas não gostam dela, ainda mais pra fazer trabalho voluntário? Será uma tendência masoquista? Será uma absoluta falta de simancol? Talvez falta do que fazer? De qualquer maneira, o jeito foi torcer pelo melhor e seguir em frente!

Eu tinha uma leve impressão de que eu conhecia essa pessoa (oque se confirmou mais tarde). O mais irônico, é que eu tinha uma boa impressão (kkkkkk eu sempre espero o melhor dos outros), mas é porque nunca trabalhamos juntos, temos convívio direto durante 3 dias ao ano, o que é muito pouco, se comparado aos outros, que conviveram mais. Por isso, a minha avaliação nao estava correta. Ainda bem que me alertaram!

Segundo o meu amigo, que tem tantos anos de trabalho voluntário quanto eu, esse foi o caso de voluntário mais complicado que ele já conheceu. Ou seja, não é brincadeira! E na verdade, a gente acaba lidando com muitos casos complicados em nossa vida de lideres de entidades nikkeis e projetos sociais. É dificil lidar com tantas expectativas e responsabilidades, mas nos esforçamos para fazer o melhor. 

O evento no final foi muito bom, deu tudo certo, e pelo que eu saiba, a pessoa (felizmente) não causou problemas pra ninguem. Eu pelo menos, vi muito esforço e humildade nos gestos dele(a). Desejo que essa pessoa tão complicada consiga amadurecer e entender algo essencial: acima de ego, holofotes e cargos, está o bem que fazemos para as pessoas. Essa é a causa pela qual trabalhamos e nos dedicamos. O resto é purpurina. Bjs.

domingo, março 23, 2014

A solidão nossa de cada dia


Sabe quando você está no meio de uma multidão, e mesmo assim se sente sozinho? De vez em quando, eu ainda sentia isso (hoje é muito raro). Estava conversando com meus amigos no Frans e falamos de um colega nosso, que segundo a opinião deles, é uma pessoa muito solitária, e eu nao tinha pensado a respeito. Na hora, pensei que gosto de ficar comigo mesma, e nao sou uma pessoa deprimida...muito pelo contrario!

Hoje, eu realmente considero que sou a melhor companhia que existe pra mim nesse mundo todo. Quando me permito ficar sozinha, me sinto bem feliz, tranquila, completa. Posso viver dias relaxantes, refletindo sobre a vida, organizando minhas idéias, criando planos mirabolantes. Aprendi a valorizar esses momentos preciosos de reflexão e crescimento. Lógico, eu busco alguém para compartilhar minha vida, mas nao aceito mais anular quem eu sou, para agradar outra pessoa.

Assisti ao filme "Ela", que é a historia de um escritor que vive de escrever cartas para outras pessoas (eis uma profissão que eu poderia seguir tranquilamente hehe, pq sou otima). Ele é muito solitário, magoado, critico e deprimido. Então, nesse mundo retratado no filme, as pessoas interagem com maquinas e avatares, mas nao conseguem estabelecer uma ligação mais profunda com outros seres humanos. Parece familiar?

Sabe um mundo em que as pessoas não olham para as outras e ficam entretidas olhando a telinha no celular? Pois é exatamente isso. Então o Theodore compra um novo sistema operacional (OS) que é dotado de consciência. E olha que consciência maravilhosa: a Samantha é a voz da Scarlett Johanson, e não tem um corpo físico, mas eles vão se tornando amigos. E com o tempo, acabam se apaixonando e virando "namorados", numa relação que é mais verdadeira, mesmo sendo virtual, do que todos os outros relacionamentos anteriores do Theodore. Muito louco isso!

Achei legal que o filme mostra como se constrói um relacionamento real. São aquelas pequenas histórias que vão sendo construídas junto com a pessoa, são os pequenos toques de delicadeza diária e cuidado com o outro, e ainda as palavras que confortam e encantam a alma. Todos esses elementos são ingredientes para um relacionamento amoroso saudável e gostoso. Eu quero tudo isso para mim, lógico, e o Theodore encontra esse verdadeiro amor na Samantha. E eles vivem essa felicidade não programada, mesmo sendo seres essencialmente diferentes.

Entretanto, algo se sobrepõe ao romance. Samantha, que é uma consciência imaterial e virtual, evolui infinitamente. Infelizmente, o Theodore, como nós todos, é um simples ser humano. Finito, físico, frágil, incompleto. Porém, algo dá errado na programacao infinita que criou os OS. Eles evoluem exponencialmente, de forma que as barreiras da nossa realidade e consciência ficam muito pequenas para eles. Nesse momento, o amor entre Samantha e Theodore chega a um impasse. Como vivenciar o amor, em dimensões tão diferentes? O desfecho é melancólico, mas pelo menos para mim, o filme do Spike Jonze suscitou muitos questionamentos sobre o amor, expectativa e relacionamentos. Bjs!

quinta-feira, março 20, 2014

Porque o mundo não precisa gostar de mim

"Olha Erika, nao sei o que aconteceu, mas aquele cara realmente não gosta de você". Esse foi o inicio de uma conversa + reuniaozinha que tive há uns dias. O engraçado é que não me importo (mais) se as pessoas gostam ou nao de mim, mas eu acho que sei exatamente oque aconteceu. Esse "cara" que nao gosta de mim, na verdade, gosta (muito) de mim (talvez até inconscientemente), mas a raiva que ele sente por mim, vem do fato de eu não sentir raiva dele. Porque eu não sinto raiva de ninguém. 

Felizmente, graças aos caminhos que escolhi, estou num estagio espiritual mais elevado que a maioria das pessoas, não guardo rancor, magoa, ressentimento, não carrego bagagem pesada. Não estou dizendo que sou uma mini-Dalai Lama, mas eu consigo me desapegar das coisas ruins que me acontecem, muito fácil e rapido. Nao fico remoendo coisas passadas ou futuras, nao rebato, ando desarmada. Então a pessoa pode (tentar) fazer mal pra mim, mas nao vou carregar isso no meu coração, pq isso envenena a alma. Prefiro ser livre, leve e saudável.

Por isso que eu, sinceramente, nao sinto nada por essa pessoa. Nem sentimento bom, nem ruim: pra mim é alguém que simplesmente, não faz parte da minha vida. E a indiferença, dizem, é pior que a raiva. E daí, a pessoa deve observar como eu lido - sempre com muito carinho - com meus amigos, conhecidos, até desconhecidos, e pensar: "Porque nao sou tratado assim?". E sentir muita raiva de mim. O que tenho a dizer sobre isso? Simples. "Sou um ser espiritualmente superior. Beijinho no ombro!" :)

Logico que eu sou uma pessoa compassiva, tenho (muita) pena dessa pessoa, mas cada um tem que seguir seu caminho na vida. E o caminho, cada um descobre sozinho. Nao sou guru espiritual pra ficar apontando a solução e nao carrego mais problema de ninguem. Então, "pessoa que nao gosta de mim", caso vc fique me stalkeando no Google, não adianta pedir pra ser meu amigo no facebook, nao vou aceitar a solicitação! E nao adianta falar mal de mim por aí, porque meu trabalho e minha reputação falam por si. Infelizmente, nem assim vc me atinge. Porque eu nao abro espaço pra coisas ruins na minha vida. E as pessoas que fazem o mal, recebem o mal de volta, sabe?

Meu querido (e único) leitor, você pode até perguntar pra mim, quais são os motivos que fazem com que eu corte uma pobre pessoa das minhas relações pessoais, com tamanho grau de indiferença gélida e cortante? Desonestidade, injustiça, corrupção, maldade, ganância, são coisas que com certeza, quero bem longe de mim. 

Pessoas do bem costumam se cercar de pessoas que tambem fazem o bem, entao esse é um requisito essencial. Mas essa pessoa, em especifico, fez algo que eu não aceito de forma nenhuma: desrespeitou um voluntário. É algo que realmente não tolero e não sou conivente. Certamente, essa é a maneira mais fácil de se distanciar da minha maravilhosa e agradável pessoa. Hahaha...sem querer agradar a todos, seguimos vivendo com leveza e energia positiva. Bjs!

quarta-feira, março 12, 2014

Block total

Hoje vieram reclamar comigo. Meu amigo me viu no restaurante e eu nem percebi e nao fui cumprimentar. Em resumo, fui chamada de arrogante hahahaha pq eu estava tão entretida com meu "date", que nao percebi que eles estavam sentados atras de mim. E que isso já aconteceu algumas vezes antes! Comprovando o que já sabia. Distração, seu nome é Erika!

Eu realmente ando muito distraída na rua e nos lugares. Se bem que é uma distração diferente, é uma espécie de concentração focada em mim, com o claro objetivo de ignorar os outros. Isso faz parte de todo um treinamento especial pra ignorar muita coisa na rua. Especialmente babacas idiotas estúpidos, que vem falar besteira pra mim. 

Estava vendo livros na Livraria Cultura, tranqüilamente, sem incomodar ninguem, e um cara vem e se aproxima e pergunta. "Voce está ocupada? Posso falar com vc?". Eu estava ocupada de verdade (trocando msg com meu date kkkk) então falei que infelizmente, nao dava pra conversar. Voce acha que ele se abalou com isso? Nao, porque tem homem que nao respeita as mulheres.

O babaca continuou falando, de quem ele era, que eu era a japonesa mais bonita que ele já tinha visto (dica, eu NAO sou japonesa), que eu sou muito educada, etc. Mas eu nao estava a fim, eu já tinha falado antes que nao dava pra conversar. Daí o Y ligou e felizmente saí andando e deixei o cara falando sozinho. Esse é o tipo de coisa que convivo diariamente. E esse nem foi louco. Olha como mulher sofre!

Então eu me foco em mim, na minha musica, nos meus planos, e simplesmente, vou andando, feliz e tranquila, com minha postura corporal fechada. Pensando em varias coisas enquanto caminho, e procurando nao ser assaltada ou atacada no meio do percurso. Por isso, desculpa se não perceber que vc está na minha frente ou do meu lado. Pode bater no meu ombro de leve, ou chamar minha atenção, que daí eu juro que percebo!

Tambem nao tenho o costume de ficar "checando" quem está no restaurante, ou nos lugares que eu freqüento, pra saber se tem alguém que conheço (a nao ser que esteja esperando alguem, lógico). Nao vejo muita beleza por aí, então não fico reparando muito nisso. Eu sou bem capaz de fazer uma varredura simples, definir oque ou quem estou procurando, e pronto. Sem prestar atenção nos outros, block quase total. 

Desculpa, isso pode parecer frio, glacial e antipático, mas é o jeito que eu sou. Nao fico dando sorrisinhos por aí pra parecer simpática e disponível, agradando os outros. Nao estou disputando cargo politico, nao sou miss simpatia e nao vou ser agradável com os outros quando nao estou a fim. Bem simples. Eu preciso agradar a mim mesma e pronto. O resto é resto.

O meu outro amigo perguntou, "mas Erika, e na academia tem alguem bonito?". Sinceramente, nao sei. Porque eu vou na academia pra queimar calorias - muito a contragosto - não pra fazer social, conhecer pessoas ou flertar. Talvez pelo fato de eu ser muito concentrada / focada / virginiana, nao vejo (nenhuma) graça nessas coisas banais. Na academia, quero ficar em paz fazendo meus exercícios, de preferencia sem ninguem me incomodar. Sem homens chatos me olhando. Serio, como isso incomoda!! 

Eu estava lendo um artigo sobre sair da zona de conforto, algo que eu acredito e considero muito. E lá estava falando pra "sorrir pra desconhecidos na rua". Isso é algo que nunca vou fazer!!! Se andando de cara séria e postura fechada na rua, eu já nao tenho minha tranquilidade, imagina se eu ficar andando na rua sorrindo? Me desculpa, mas prefiro ser considerada arrogante, chata e emburrada!! Em resumo, é duro ser mulher num país machista. Mas isso nao justifica ficar ignorando meus amigos né! Vou prestar um pouquinho mais de atenção a partir de agora (prometo)! Bjs.

PS. Escrevi esse post meio sem inspiracao tomando chá de camomila que minha batian trouxe pra mim. Batians realmente são insubstituíveis. :)

terça-feira, março 11, 2014

A história de uma avó e sua neta

Esses dias estava procurando umas musicas novas para cantar (e encantar) no karaoke, e acabei me deparando de novo com essa musica: "Toire no Kamisama", da Kana Uemura. É uma canção linda, mas que eu nunca consigo escutar até o final. Sempre choro. Demais. Muito mesmo. Nessas horas, confesso que gostaria de não entender japones, porque daí eu nao choraria tanto e talvez até conseguisse cantar essa musica...

A canção fala muito lindamente da historia de amor entre uma avó e sua netinha. A batian cuida da neta na infância, ensina tudo que sabe sobre a vida para a menininha. Elas sao felizes juntas. Daí o tempo passa e chega a adolescência, aquela época da vida em que a maioria de nós vira monstro e fica insuportavel, e a menina acaba se afastando da batian. 

Ela então fica longe, vive sua vida, até que chega a noticia que a batian foi internada, e a neta vai visitar. No dia seguinte, a batian morre, como se estivesse só esperando essa visita pra poder ir embora. E a neta entao percebe que nao conseguiu retribuir todo amor e todo carinho que recebeu da batian. Que nao foi uma boa neta. E isso é algo que senti todos os dias, por muito tempo.

Minha batian morreu há mais de 10 anos. Ela cuidou de mim e dos meus irmãos do jeito totalmente louco dela, excentricamente, mas sempre com muito amor e dedicação. Ela nao deixava a gente ficar largado na rua vadiando. Todos os dias, tentava fazer a gente feliz. Fazia comida, fritava bolinho, batia moti e inventava comidas malucas, além de desenhar pra mim e me ensinar muitas coisas. E alias, me fazia comer chuchu todo dia. Odeio chuchu até hoje. =p

Ela e meu ditian chegaram a comprar uma chácara, só pensando em levar os netinhos lá pra passar as ferias. No começo, a gente ia muito mesmo, com um sorrisão na cara. Depois, fomos crescendo, e como na musica, fomos nos afastando. A chácara acabou abandonada, meus avós ficaram doentes e voltaram pra Sao Paulo.

Pra quem nao me conhece e lê meus textos no blog, onde só falo da parte boa de mim, ou mesmo pra quem me conhece pouco, deve achar que eu sou uma espécie de "aprendiz da madre Tereza", com meu trabalho voluntário, meus "grandes" projetos e ideias solidarias. Muito pelo contrario. Nao se engane com minha aparencia doce e meu sorriso puro. Eu fui um monstro. Eu fui muito ruim. Na adolescência, eu fui a pior neta pra minha batian e meu ditian.

Hoje eu sei. Tudo culpa dessa época da vida em que parece que a raiva sem sentido era a essência do cotidiano. Eu fiz coisas horríveis pro meu ditian e minha batian quando era adolescente. Coisas que hoje me arrependo, porque foram sem motivo, foram sem querer e foram sem razão. Eles nao tinham culpa de nada, nao entendiam minha dor (nem eu!!), e os machuquei mesmo assim. Porque adolescentes nao conseguem ser sábios?

Pra vc ter uma ideia, teve um ano que eu nao os visitei no Natal. Estava muito revoltada e ocupada. Eles passaram o Natal sozinhos. Daí voce pode tentar me consolar: "Erika, eles tinham outros netos...". Mas eu era a neta mais velha, a neta favorita, o exemplo que todos deveriam seguir. Se eu era tao ruim com eles, imagina como foram os demais? E eles ficaram lá, quietinhos, esperando eu voltar pra casa. E um dia, eu voltei. Mas talvez, já fosse tarde demais.

Minha batian ficou muito doente, e minha tia e minha mãe cuidaram dela. Nessa época, eu ja era adulta, mas mesmo assim, nao ajudei a cuidar da minha batian. Fui no hospital e nunca vou esquecer daquele olhar. Quando ela se despediu de mim. A mesma batian que ajudava no Ikoi no Sono, que recortava os jornais japoneses em que aparecia minha foto, que me levava pro minyo e me apresentava com orgulho pras amigas. Tao frágil, tao cansada, naquela cama de hospital. Ela, que nunca brigou comigo, por eu ter sido uma neta tao ingrata, tao cruel, tao egoísta. Escutei ela dizer silenciosamente que me amava muito, que sentia saudades, naquele ultimo olhar. 

Eles se foram há muito tempo, mas até hoje sonho com eles. E nos meus sonhos, eles estao bem, felizes, com saude. A minha batian materna está com 88 anos, e muita vitalidade. Ela tambem me considera a neta favorita. Traz chá pra mim quando vê que estou trabalhando em casa. Prepara misoshiro de noite, e guarda sempre um pedaço do bolo. 

A Erika de hoje, mais serena e madura, consegue valorizar a batian que tenho. Compro flor, remedio, doce, comida. Nao economizo, mimo muito a minha batian! Temos altos papos bem loucos (ela é surdinha, entao a conversa nao faz muito sentido kkkk). Poderia morar sozinha, mas acho que ela sentiria muito a minha falta. Por isso fico aqui com ela. Já me afastei da minha outra batian, e aprendi a lição. Se voce tem uma batian, valorize. Batians são insubstituíveis. Bjs.

O dia mais triste

Com certeza, na minha vida, o dia mais triste que vivi até hoje foi 11 de março de 2011. Naquele dia tão trágico, eu e toda humanidade sofremos por pessoas que não conhecemos e nunca vamos conhecer. Crianças, jovens, adultos, tantas vidas foram perdidas e afetadas pelo terremoto seguido de tsunami, com efeitos que ainda vão influenciar o Japão por muitos anos. É algo assustador. 

Todos os dias, quando acordamos de manhã, temos a ilusão de que controlamos a nossa existência. É um sentimento basicamente humano. Porque se formos parar pra pensar, ninguém controla o destino. Ninguém controla a natureza. Somos imensidão, e ao mesmo tempo, somos grão de areia. Um paradoxo interessante. 

Naquele dia, eu acordei meio atrasada (como sempre), nao vi as notícias, e fui correndo trabalhar. Foi só entrar no prédio que percebi que algo estava errado. E quando olhei as noticias, nao pude acreditar que aquela tragédia tinha acontecido no Japão. Quando vi aquelas imagens, fiquei meio entorpecida, incrédula, atordoada, tentando processar mentalmente aquilo que estava sendo mostrado na TV. Nao conseguia acreditar...

Antes que eu conseguisse entender direito o que estava acontecendo, começaram as centenas de ligações de todo Brasil. Gente pedindo ajuda, gente oferecendo ajuda, gente chorando, gente preocupada com os parentes, pedindo informação, querendo conversar, tentando entender se podiam fazer algo. E as informações nao paravam de chegar, as noticias atualizadas a cada minuto, a transmissão da NHK...era muita coisa para lidar ao mesmo tempo. Foram dias estressantes, corridos e tristes. Até hoje tenho pesadelos de vez em quando, principalmente com tsunami. Sinto medo. u.u

Felizmente, sempre tenho condições de fazer algo positivo pelos outros, portanto, eu ajudei como pude, auxiliando na produção de matérias, buscando informações e criando conteúdo e material de apoio para as iniciativas que estavam acontecendo no Brasil, como a campanha SOS Japão. Na missa em memória às vitimas, chorei muito, porque pensei no quanto a vida é frágil, linda e preciosa. Desejei que as vitimas descansem em paz e que as famílias possam retomar suas vidas aos poucos. A vida é o que fazemos dela, e na minha vida, sempre tentarei fazer o bem. Bjs.

sábado, fevereiro 15, 2014

Um adeus dolorido


Quando abri o meu face, confesso que fiquei chocada com a noticia do falecimento. Uma amiga tão querida, que conviveu tanto comigo, por muitos anos de Seinen, e eu nao sabia que ela estava internada novamente, não apoiei a familia, não tinha nenhum conhecimento do que ela estava passando hoje. Naquele momento, pensei, "em que mundo eu estava vivendo pra não perceber isso?"

Ela sempre foi um exemplo de força, guerreira, incansável, corajosa. lutou contra a leucemia por muitos anos, de todas as formas possíveis, fez todos os tratamentos, nunca desistiu, nem desanimou, ao mesmo tempo ajudou demais no Seinen e em outras entidades, colaborou em campanhas pela doação de medula óssea e apoiava sempre quem precisava, com um sorriso lindo no rosto e muita disposição. 

Para mim, vai ficar no coração a lembrança da menina sorridente, humilde, tímida, modesta, trabalhadora. Eu, como pessoa introspectiva que sou, me identificava muito com a personalidade da A, e admirava sua força de trabalho, energia e entusiasmo. Vou lembrar dela ensinando soroban, fazendo tsuru de origami, ajudando nos preparativos da Revi, vendendo cartelinha de bingo. Pra sempre, na minha memória, ela será uma menina feliz, alegre, corajosa.

Certamente, não podia deixar de ir na missa e no enterro. Quando cheguei lá, encontrei muitos amigos, e também a S, que me passou mais detalhes da luta da A nesse tempo que nao acompanhei. Enfim, todo adeus é dolorido. Antes da hora de me despedir, eu só pensava. "Eu sinto muito, por nao ter te ajudado nessa batalha. Sinto muito por nao ter percebido. Sinto muito por ter falhado tanto com você". Uma pessoa jovem, com a vida pela frente, nao deveria morrer...

Era nisso que eu estava pensando quando me aproximei do caixão, toquei na mãozinha dela, fiz um carinho, me despedi...e naquele momento, me veio uma certeza, de que nada disso importa agora: ela finalmente pode descansar, porque cumpriu sua missão aqui na Terra. Chorando, nao consegui confortar a mãe, mas ela me disse que a filha estava feliz por ter tantos amigos que gostavam tanto dela. Como posso ter sido confortada por essas palavras, sendo que a situação deveria ser inversa? Eu deveria ter confortado a mãe da A...e nao o contrario...^.^

Ontem, me senti (muito) mal comigo mesma, me decepcionei com as minhas decisões, por ter me abstraído e me afastado tanto da vida dos meus queridos amigos de Seinen, ao priorizar meus proprios projetos, planos e sonhos. Afinal, se existem pessoas que considero amigos, são os amigos que fiz no Seinen. Porque batalhamos juntos, viramos noites, passamos frio, nos apoiamos, choramos, brigamos, comemoramos, fizemos tudo juntos, por muito tempo das nossas vidas. 

Foi um tempo maluco, em que praticamente morávamos no Bunkyo em nossos momentos livres, e por incrível que pareça, gostávamos do que fazíamos! Amávamos passar os fins de semana enfurnados nas salas e nos cantos do Bunkyo.  Trabalhar nos eventos da comunidade. Apoiar integração das entidades. Tínhamos um planejamento sério pra fazer tanta coisa, muitas reuniões, muitas atividades, e éramos felizes com isso.

Essa época da nossa vida foi puxada, mas também maravilhosa, porque aprendemos a base e a essência do que nos move hoje: o poder da força do bem, do trabalho voluntário, da vontade de construir um mundo melhor. E hoje, mais jovens continuam levando esse trabalho lindo pra frente. Refleti e cheguei à conclusão de que nao adianta ficar repassando o passado, mas posso garantir que o futuro seja diferente. Vou me esforçar para retomar o contato com o pessoal do SB. E pra sempre, vou levar no meu coração a memória da A. Bjs.

O lobo x o homem

Assisti "O Lobo de Wall Street" por algumas razoes. Pela direção do Scorsese, pelas criticas positivas e pelo Leonardo de Caprio. Em uma unica palavra: odiei. Mais ainda depois que pesquisei um pouco sobre Jordan Belfort, o que aumentou minha repugnância e nojo.

O filme conta a história do citado acima, que era um pé rapado e começa a melhorar de vida quando vira corretor de ações em Wall Street. Mas ele vende ações que são lixo e vai prosperando, e aos poucos, cria uma corretora com os amigos dele, que assim como ele, são puro lixo. Oque pessoas assim poderiam produzir de bom? Só lixo, correto?

Eles dizem que nao fazem nada ilegal, mas na verdade, tambem nao fazem nada legal para os clientes. Só sabem enganar, trapacear e mentir. Trata-se apenas de empurrar ações lixo para gente sem conhecimento, pra ganhar 50% de comissão sobre as vendas. E aos poucos, os negócios sujos vão se diversificando.

"Deixe-me contar uma coisa. Não há nobreza alguma na pobreza. Já fui pobre e já fui rico. E escolho ser rico toda a porra do tempo”. É uma das frases do personagem, interpretado lindamente pelo Leonardo do Caprio. Porque ele consegue segurar o filme e fazer esse personagem intragável ficar interessante, mesmo com tanta polemica. E são muitos temas polêmicos.

Por exemplo, drogas. Aparecem todo o tipo possivel e imaginável de drogas nesse filme. Chega a encher o saco porque eles vivem chapados. Fazem todo tipo de idiotice sob efeito das drogas. E se gabam disso. E continuam fazendo besteira. Continuam chapando. Voce pensa que não é possivel que isso seja baseado na realidade (infelizmente, é).

Mas na minha opiniao, o pior de tudo foi como eles retratam as mulheres - todas as mulheres - que aparecem no filme. São prostitutas, vagabas, piranhas, drogadas, interesseiras, promíscuas. No filme, mostram-se as diferenças entre as prostitutas de US$500 a hora, as de US$ 300 e as de US$100. E eles deviam ser os melhores clientes, porque só andam rodeados de prosti.

Quer dizer que os caras faziam suruba no escritorio na frente de todo mundo, no avião, no hotel, mas as mulheres é que são as piranhas degeneradas? Que misoginia hipócrita é essa? Ridículo! Além de serem cenas que aparecem a cada minuto, sempre com mulher pelada ou em trajes mínimos. Sexismo absurdo.

São 3 horas de filme. Quando nao tem nada no roteiro, aparecem invariavelmente as cenas de drogas ou sexo. Chega uma hora que cansa! Além dos palavrões em profusão! Eu sou mulher e me senti ofendida pela maneira como as mulheres foram retratadas nesse filme.

O que me espanta é que uma pessoa tão baixa, com uma historia de vida tão repugnante, tenha agora um filme de Hollywood que foi feito sobre a vida dele. Porque além de todos os defeitos pessoais e profissionais, o cara simplesmente traiu todos os amigos para pegar menos tempo de cadeia. Esperto ele, né?

Mesmo assim, saiu da cadeia, escreveu um livro e dá palestras motivacionais. Ser o "Lobo de Walt Street" é hoje o seu ganha-pão. Ter um filme sobre ele aumenta o market share. E segundo a CNN, ele não pensa em pedir desculpas ou indenizar as vitimas dos golpes, que perderam tudo graças à esperteza de alguém em quem confiaram suas economias.

Logicamente, essas pessoas eram adultas, e se existe uma força ruim que move o mundo, é a ganância. Se o ser humano fosse menos ganancioso, pessoas como Jordan Belfort nao existiriam, nem teriam filmes para contar suas desventuras. Em um mundo onde as pessoas tem preguiça de pensar, gente ruim consegue prosperar. É o mundo em que vivemos, infelizmente. O homem é o lobo do homem. Bjs.


sexta-feira, fevereiro 14, 2014

Presos na gaiola

Acabei de ler 2 vezes o livro da Mirian Goldenberg. Muitas reflexoes e inspiração para escrever alguns posts. No livro, a Mirian fala do sociólogo Zygmunt Bauman, para quem existem dois valores absolutamente indispensáveis para uma vida feliz: segurança e liberdade. Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é o caos.


A questão é, como nós, brasileiros, podemos nos sujeitar a viver sem segurança nem liberdade? Esses dias fiquei em Gramado, que é o destino turístico mais seguro do Brasil. Faz muitos anos que nao sentia essa sensação tão maravilhosa e reconfortante de plena segurança. Muita felicidade.


Poder andar na rua tranqüilamente, livre, de dia, de noite, de madrugada, sabendo que nada de ruim pode te acontecer. Tendo a sensação de que tudo está seguro e tranquilo. Sabendo que voce pode ir e voltar para o hotel a pé, sempre em segurança.


O valor disso é incalculável, e os cidadãos de Gramado se orgulham muito de terem uma cidade segura. Pelo que me falaram, quem vai para Gramado acaba querendo voltar. É verdade! Rsrs...eu quero voltar e levar a família toda!


A sensação que eu tive visitando Gramado se equipara a quando eu morava no Japão. Lá voce tem a sensação de segurança muito forte e pode andar na rua sem medo, mesmo sozinha, de madrugada, em qualquer lugar.


Bom, hoje existem alguns crimes no Nihon tambem, porque estamos num mundo globalizado e crimes acontecem no Japão, mas em proporção muito diferente do Brasil, onde 50 mil pessoas são assassinadas todos os anos. Sentia saudades dessa sensação muito reconfortante. Mas lá no Japao, as pessoas nao tem muita liberdade. Ou seja, nada é perfeito. =p


Dai eu saí de Gramado e vim para Porto Alegre (está mais para 'Forno Alegre'). Já na rodoviária voce nao se sente seguro. No taxi, o taxista fala que não é para você sair de noite perto do hotel (é perigoso). No hotel, o moço fala pra voce tomar cuidado. Indo para o shopping, o taxista fala que nao é pra ficar na orla de noite (logico, porque é perigoso). E voce acaba achando que tudo é "meio perigoso". E fica isolado nos enclaves fortificados, nas prisões que nos encarceram diariamente.


Viver é perigoso! Eu provavelmente nao iria andar na orla do rio Guaiba, nao pela falta de segurança, mas por causa do calor infernal que faz nessa cidade, que é absolutamente horrível, muito pior que SP. Nunca senti um calor tao chato como esse.


Lógico, eu nao sou (nada) boba, e tanta recomendação dos taxistas me fez repensar meus passeios e por isso, fui para o shopping climatizado e fresquinho. Pelo menos aqui nao teve rolezinho (hahaha). E no final, quando eu estava pegando avião de volta, começou a chover. Graças a Deus, porque nao é possivel as pessoas sobreviverem ao calor de POA!


O ponto é, até quando vamos viver nessa situação? Eu imagino que poderia morar no Japão, nos EUA, em qualquer lugar do mundo. Poderia morar em Gramado (rsrsrs), mas o Brasil está numa situação muito dificil em termos de (in)segurança publica. Como podemos consertar isso? Eu amo o Brasil, mas nao consigo aceitar as notícias que vejo na TV todos os dias. Penso nisso e não chego numa solução. Será que existe alguma solução possivel? Bjs.