segunda-feira, janeiro 27, 2014

Resumindo, eu não sou mulher-fruta

Esses dias estive de ferias no Rio. Foi uma viagem excelente e super maravilhosa. Porém, entretanto, todavia, contudo, os caras (chatos) não me deixavam em paz, toda hora com gracinhas e idiotices. Nessas horas, ficava me perguntando: "P#%&@, será que nunca viram uma japonesa??" (alias, só pra constar, eu me considero brasileira).


Segundo a P, no seu conhecimento empírico, os cariocas não estão muito acostumados a ver japonesas, turistas, sozinhas e bonitas. Ou seja, eu, sendo uma turista com cara de japonesa, sozinha e bonita, tive que me submeter a toda espécie de constrangimento estupido vindo de caras idiotas.


Porque enganam-se os homens que acham que uma mulher gosta de escutar esse tipo de coisa na rua e ser encarada como se fosse uma mercadoria na loja, uma picanha no açougue, um passarinho na petshop. A gente sente nojo, asco, repugnância. Vontade de bater. Vontade de xingar. Vontade de sair correndo!


Infelizmente, como esse comportamento subanimal é uma triste constante em nossas vidas, desde pequeninas, acabamos ficamos tão, mas tãaaaaaaaao cansadas disso, que no final, não xingamos mais, nem batemos, apenas aprendemos a ignorar. Mas conheço meninas que nao se cansam e continuam lutando bravamente pelos direitos das mulheres. Eu tento ignorar. Desconfio que até as mulheres-fruta não devem gostar disso.


Na rua, no transito, no transporte publico, todos os dias, estamos sujeitas à violência e ao constrangimento. De roupa "normal" te enchem o saco. De roupa "curta", a mulher "tá pedindo". Tá pedindo pra ser respeitada, confere, produção? Entao o que eu faço é ignorar isso. Ando na rua com mp3, óculos escuros, e ultimamente, incorporei um chapéu ao look diário. Brevemente, creio que vou pegar uma roupa do Batman e ver se assim param de me encher o saco.


Pena que afoguei meu mp3 na praia no penúltimo dia da viagem. Dai em diante, foi realmente "soda". Aqui em São Paulo existem (muitos) caras sem noção, mas nao é tao ruim como lá, pelo menos para mim foi mesmo péssimo. Eu nao dei permissão para um cara desconhecido se sentir no direito de vir falar m#&€@ pra mim na praia. Nao pedi a opiniao de um cara nojento sobre meu corpo. Posso estar de biquíni, de saia, de burca, e quero ficar em paz curtindo numa boa. Nessas horas, é realmente dificil ser mulher.


Eu odeio quando vem um cara nojento falar que sou "gostosa" ou que ele "quer me pegar" (FBI, policia, carrocinha, socorro??). É nojento, degradante, repugnante, absurdo e reflexo dessa sociedade machista em que vivemos, em que a mulher é considerada "propriedade" do homem (hahaha como se isso existisse). Somos oprimidas e desrespeitadas todos os dias.


Esse tipo de comportamento estúpido está até me fazendo mudar meus hábitos. Por exemplo, eu gosto de ir em festas e baladas. Mas nao gosto de caras totalmente desconhecidos me abraçando, pegando na minha mão, puxando meu braço, tocando na minha roupa, mexendo no meu cabelo. Alias, ODEIO quando alguém, que nao seja muito intimo, mexe no meu cabelo (ficadica).


Imagino que no dia a dia, um nikkei normalmente não faria isso, mas depois de chapar, eles simplesmente perdem a noção das coisas. Um cara me agarrou numa dessas festas, e o que eu podia fazer? Tem caras (alias, criminosos) que batem em mulher que dá o fora neles em festa. Já pensou se isso me acontece? Então, melhor evitar dissabores. Ficar em casa como uma freirinha (haha logico que estou brincando).


Pra nao dizer que só tenho experiências ruins, na praia, um cara veio falar pra mim "desculpa, moça, nao quero te atrapalhar, mas com todo respeito, só queria dizer que você é muito linda. Mandou bem". E pegou na minha mão e me cumprimentou. Ponto positivo para ele. Pediu licença, nao foi mal educado, foi gentil e bem humorado. Tudo bem desse jeito, aprovado, moço, não vou encrencar! :)


O outro moço no prédio. "Desculpa, moça, mas só queria falar que te vejo sempre e esse vestido ficou muito bonito em você". OK tambem, ficou muito elegante. Lembro até hoje de um grupo de caras, na avenida Paulista. O moço falou pro amigo: "voce disse que nao tinha japonesa bonita, olha uma japonesa bonita aí". E eu fiquei me achando hahahaha....da mesma forma, nao foi invasivo, foi bem humorado, foi respeitoso. Ou seja, bem que alguns homens podiam aprender com esses bons exemplos. Bjs.

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