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Sentimentos mais do que comuns

Meridianos Paralelos
Estou aqui na sala, como uma observadora anônima, escutando duas meninas falando sobre suas vidinhas tranquilas de cursinho. Tranquilas porque elas nao sabem o que as espera depois da faculdade hahaha. 

Tadinha, uma delas está muito, muito deprimida, falando que a vida dela não tem sentido, que ela só quer dormir e acordar no dia seguinte e sentir que a vida melhorou. Mas infelizmente, nao vai melhorar, Sayuri (*). Nao assim, enquanto você continuar a viver assim, e principalmente, a pensar assim, sua vida nao vai mudar. Primeiro, você tem que mudar. E vai ter que trabalhar pra isso. No pain, no gain.

Pior é que eu me identifico muito com a Sayuri. Ela está dizendo que vê as outras pessoas como estrelinhas brilhando e ela como tela preta. Que ela nao vê sentido nas coisas que faz. E eu também quando era adolescente, era totalmente perdida na vida. Poderia ter me perdido pra muito mais longe e nao encontrar o caminho de volta! Ainda passei muitos anos perdida, até me encontrar. Porque nao existe ninguém que vai te dar a direção, você mesmo tem que encontrar seu caminho. As pessoas podem te ajudar, mas quem vai decidir o caminho é você.

Eu gostaria de fazer alguma coisa pelas pessoas como a Sayuri, porque sei que tem muita gente se sentindo perdida por aí, e agora que me encontrei de verdade, posso ajudar outras pessoas a se encontrarem também (sei que parece falta de humildade escrever isso, mas realmente acredito que posso ajudar alguem. Como no filme "A Lista de Schindler", o importante é ajudar alguém. Qualquer pessoa. Uma vida. Qualquer vida).

Penso por ex nos ex-dekaseguis, que voltam ao Brasil sem saber o que fazer, ou nos filhos desses dekaseguis, que nao sabem se sao japoneses ou brasileiros. É tanta coisa para refletir nessa vida, né? Quero mesmo ajudar essas pessoas, tenho alguns projetos, o que me falta é tempo pra implementar todos os meus sonhos. Deus me ajuda please? Por enquanto, vou ajudando quem cruza meu caminho distraidamente. Bjs!

(*) o nome da menina nao importa, né, pq acho que esse sentimento de solidao e falta de sentido na vida, muitas pessoas estão sentindo no mundo nesse instante. Eu senti, você também sentiu. Talvez ainda sinta. Enfim, todos sentimos isso em algum momento da vida. Aliás, Sayuri, desculpe por ter escutado sua conversa sem sua permissão. Desejo que você se sinta melhor e estou torcendo por você de coração.

Comentários

  1. Sabe o que é mais engraçado Erika, é quando a gente tem um romo feito quando é mais novo, é quando a gente tem a garra e a disposição (e a humildade idem), mas acaba se perdendo bem depois, já ao longo do caminho... Isso aconteceu comigo.

    Quando eu era mais novo, tinha uma garra que não acabava mais! Na época da faculdade então, nem sei como eu fazia! Tinha as aulas de comunicação social durante a manhã (e algumas aulas no período noturno), e tinha "paralelamente" que me virar pra conseguir bancar meus estudos.

    Trabalhava durante a tarde, trabalhava as vezes até na madrugada... Eu mal dormia! - Mas sabe, eu tinha garra, tinha ânimo! Tinha coragem pra lutar pelos meus objetivos!

    Não foi lá um período muito fácil, mas ao longo dos anos fui construindo minha carreira... Terminei a faculdade, até fiz uma pós, e aos poucos, os trabalhos como "freela" iam pipocando, um após o outro!

    Teve época que com 2 ou 3 trabalhos eu me garantia (financeiramente) pelo mês inteiro...

    Pois é, eu me considerava "o cara"... Aquele que era sempre chamado, sempre lembrado na hora dos trabalhos mais difíceis.

    Mas aí minha vida deu uma guinada (pra baixo), e aos poucos tudo meio que foi se desfazendo.

    Hoje eu não sei bem em que ponto que estou... Mas acredite, as vezes a gente não se perde no começo, mas sim pelo meio do caminho.

    Bom, de qualquer forma, espero que a Sayuri encontre sua estrada. E que possa brilhar cada dia mais! (Pois com certeza, ela deve ter capacidade para isso!) - Todos temos! (Mesmo que as vezes, seja um pouco difícil pra se enxergar isso)...

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