domingo, janeiro 08, 2017

Circularidades


Passei mais de dois anos sem atualizar esse blog, não sei exatamente o motivo, mas sempre sentia vontade de voltar a postar. Quando leio meus posts antigos, posso perceber claramente o quanto eu cresci e me desenvolvi em todos os sentidos nesses anos de distância. E acho que isso é o mais bacana de mantermos um blog: poder elaborar um registro do que a gente pensa e sente, ao longo de muitos e muitos anos. Tenho até vergonha de alguns posts muito bobinhos, mas no geral, esse blog refletiu como eu penso e como me movimento no mundo.

A vida anda muito completa e feliz para mim em todos os campos: pessoal, profissional, emocional, familiar, espiritual, amoroso, enfim, acredito que consegui alcançar um equilíbrio muito buscado. Continuo trabalhando pra caramba como sempre, mas refletindo comigo mesma, creio que sempre fui assim e sempre serei. Gosto mesmo de trabalhar e de me envolver em diversos projetos ao mesmo tempo! Agradeço ao universo por ter permitido tanta felicidade e coisa boa no meu caminho! Creio que também fiz a minha parte, porque sempre busquei o bem.

Nessa semana estou vivendo um sentimento muito bacana de expectativa. Fui selecionada para um programa de convite ao Japão do Consulado Geral do Japão em São Paulo, e vou para o Japão depois de quase 20 anos sem visitar o país. Sim gente, eu trabalho com cultura japonesa mas não tinha voltado pro Nihon desde a minha adolescência. Os motivos? Muitos. 

Na entrevista, a coordenadora perguntou. "Erika, você que está tão dentro da comunidade, porque nunca recebemos a sua candidatura nessas bolsas?". Eu poderia dar dezenas de motivos. Que eu sempre estou correndo, sempre estive em diretoria de alguma entidade, ou envolvida em algum projeto grande, e sentia que não tinha tempo para ir para o Japão com uma bolsa de estudos. Mas a reflexão que eu fiz depois da entrevista, pensando naquela pergunta tomando um chai latte no Starbucks, é diferente, é até surpreendente: eu simplesmente não me sentia merecedora das oportunidades que aparecem na minha frente.

Já recebi outras oportunidades anteriormente, e pensava que a outra pessoa precisava mais do que eu, ou que eu era tão essencial e não poderia ficar fora por tanto tempo (puxa mas é taaaaanto tempo, são 2 semanas hahaha!). São desculpas até meio irracionais (como a maioria das desculpas), se formos pensar nisso. Graças a deus, depois de muito trabalho de coaching, melhorei bastante. Estou mais confiante, mais certa do meu valor e da minha contribuição, e sei que posso representar o Brasil e a comunidade nikkei com muito orgulho, e trazer conhecimentos que possam ajudar outras pessoas.  

Enfim, este é um momento muito feliz de renovação para mim, e desejo que o ano de 2017 simbolize a possibilidade de um renascimento das esperanças, dos bons sentimentos e da harmonia em nosso país. Que seja um ano bem melhor do que 2016, para você e para mim também. bjs!

quarta-feira, novembro 19, 2014

Super-estressada??

Esses últimos meses tenho me esforçado muito...pra viver! Tenho viajado, passeado, estudado e me divertido bastante. Estou levando uma vida mais zen. Estou me esforçando seriamente na busca de uma vida mais bacana. Por isso, nao entendi até agora oque aconteceu...

Tomava café tranquilamente com a P (sendo que ela ficava me inquirindo sobre o meu mau humor, que na verdade era só uma TPM bem braba). De repente, falei pra P: "sabe, estou sentindo um incomodo no pescoço". Isso era à tarde. De noite, eu ja nao conseguia mais virar o pescoço! Na manha seguinte, eu não consegui levantar direito! Muito estranho: o meu corpo não parecia realmente meu! 

Ainda fui teimosa por mais dois dias, suportando uma dor insuportável, com o agradável aroma do Salompas empestando minhas lindas roupas, e sendo uma bruxinha malvada com todos os (pobres coitados) que me rodeiam. Parecia um bichinho encurralado na toca. Sabe aquele cachorrinho machucado, que fica tentando morder pq sente dor?? Era eu!! Por fim, não aguentei e fui procurar socorro com o S. Diagnostico: estresse. Fala serio??? Serio mesmo???

Gente, eu sou uma pessoa que sobreviveu a 4 anos de Centenário! E também a 10 Festivais do Japão! E muuuuuuuuito mais coisa bacana e difícil. Pra mim, é um mistério surpreendente. Como algo assim, tão grave, pode ter acontecido em um momento de baixo estresse?? Esclareço que estou acostumada com um nível de estresse moderado na minha vida diária, então o ritmo de agora, na verdade, não considero puxado!

Dai, o S me explicou que o estresse se acumula na mente, e chega um dia em que o corpo simplesmente não agüenta mais. Portanto, por mais forte e estruturada que eu me considere, não sou a mulher-maravilha. Trabalhar cuidando de três clientes, estudar japonês, mandarim e espanhol e fazer as coisas do meu dia a dia está muito puxado. Ainda de acordo com o S, eu não posso ficar me cobrando (já fui beeeeeeeeem pior), preciso perdoar (perdôo sempre) e esvaziar a mente (hahahaha esse é mais difícil)!

O tratamento requeriu três sessões de técnicas muito engenhosas de massagem, produzindo ruidosos estalos na minha coluna - experiência inédita na minha vida. Confesso que foi complicado cumprir o período de descanso moderado que ele me propôs. Ficar sem mexer no computador, sem fazer lição e sem anotar as coisas no caderno, foi muito ruim pra mim! Por outro lado, coisas legais acontecem! Refleti sobre os motivos que me levaram a essa dificuldade e agora estou bem, e isso que importa! Agora estou curada e retornando ao meu ritmo normal (e estressado) de vida! Bjs!

terça-feira, abril 29, 2014

Vivendo num mundo sem amor

A gente recebe e retribui o amor que acha que merece. Eu acredito nisso. E fico muito triste e assustada com as noticias de violência assoladora que acompanho todos os dias. Sim, eu digo que não sigo mais as noticias, que não leio mais jornal, porém, sou jornalista, e por mais que as noticias sejam sempre as mesmas (ou piorem a cada dia que passa), acabo acompanhando de longe. Sempre muito chocada. Sempre triste.

A moça que foi assassinada pelo namorado em Curitiba, a outra no Rio, outra em Sao Paulo. O medico nikkei, o menino Bernardo, a Claudia, o Amarildo, o DG, o Brian, a Mercia, a Taina, entre tantos e tantos casos que nao dá nem pra citar aqui. Todos os dias, parece que o crime é cada vez mais banalizado, a violencia impregnou nosso dia a dia, fez o mundo ficar mais escuro e brutal. Eu amo o Brasil, mas tem horas que perco a esperança em ficar aqui e ajudar as pessoas.

Esses dias a minha amiga falou de meninos da febem. Como ensinar amor para alguém que nunca foi amado, nunca foi desejado? Como é a existência de alguem que está cheio de ódio, raiva e coisas ruins por dentro? Alguem que quer machucar o outro, simplesmente porque foi machucado?  Como podemos consertar isso?

Penso que talvez exista uma espécie de loucura generalizada que está assolando o Brasil, pq a violência está crescendo assustadoramente, em todos os níveis, resultado da falta de respeito pela vida, pela familia e pelas pessoas. E infelizmente, na minha opiniao, jornalistas e a midia tem a sua (ampla) parcela de culpa nisso.

Porque quando a gente, jornalista profissional, faz uma matéria sensacionalista sobre o maluco criminoso que algemou a namorada, atirou e matou ela e depois tentou se suicidar, estamos sem querer alimentando idéias perversas e fantasias tresloucadas na cabeça de gente fraca, instável e desequilibrada. 

Porque a TV é um meio que nao tem filtro, atinge qualquer um que esteja com o aparelho ligado. Por isso é necessario ter mais responsabilidade! Contextualizar a noticia, mostrar todos os lados. Procurar um especialista dizendo que esse tipo de gente é doente e precisa se tratar com urgencia. E tb mostrar que mulheres nao podem e nao devem tolerar relacionamentos abusivos. Enfim, estamos criando uma geração de pessoas frageis, descontroladas (e emburrecidas).

Uma pesquisa do SESC mostrou que 93% dos entrevistados nao tem interesse em assuntos culturais. 71% nunca foram ao teatro, 61% nunca entraram em um museu e 58% não leram um livro nos últimos seis meses. Desse jeito, fica dificil fazer milagre. A TV acaba sendo um meio de "educação" para o povo, cumprindo um papel que a escola e a familia nao conseguem cumprir.

O problema é quando uma novela das nove tem caras de 40 anos nojentos, com idade mental de 12. Cenas de estupro e humilhação em horario nobre. Mulheres que se permitem ser pisadas, massacradas, machucadas por homens abusivos. E trata-se de uma "obra de arte" assistida por 20 milhões de pessoas, perpetuando preconceitos e destilando uma ideologia de culto à violência. Cadê o amor nesse Brasil tao lindo? Tem coisas que simplesmente nao entendo. Espero que amanha acorde mais esperançosa. Bjs.

domingo, abril 27, 2014

Reuniao com tubarão

Eu sou uma pessoa muito meticulosa, pratica e organizada. Quer que eu odeie uma pessoa, mesmo que seja só um pouquinho? Simples, é só essa querida pessoa marcar uma reunião comigo de ultima hora, no mesmo dia. Porque a minha agenda é TODA feita com antecedência, eu planejo minha semana, planejo cada dia e o que vou cumprir em cada dia em termos de metas e objetivos. Gosto de dar um "check" nas tarefas cumpridas no fim do dia. Sou assim: sou planejadora. Tenho plano A, B e C pra tudo.

Nesse cenário tao perfeitamente calculado, um compromisso de ultima hora altera toda minha rotina mental, e daí, acabo extremamente irritada. Entao se eu for realmente obrigada a ir em uma reuniao assim (sim, porque meu mundo não é cor de rosa, e assim como vc, tenho que engolir um monte de sapos), eu vou sair com pedras na mão, irritada, seca e nada disposta para uma negociação. 

Esse mês tive uma reuniao assim. Eu fui lá praticamente obrigada. E foi uma ocasião bem ridícula, pq a pessoa só chamou a gente pra vomitar verborragicamente um "blá bla bla" interminável por mais de uma hora, sem nem ao menos ter a humildade de parar pra nos escutar. Algo do tipo "não fala, só me escuta, que eu sou o certo". Parecia que eu estava falando com uma pessoa surda! Foi incrível mesmo...me assustei porque é inacreditável o nível de egocentrismo que as pessoas podem alcançar nesse mundo louco!

Tive um treinamento da Dale Carnegie sobre técnicas de negociação nesse mês, e foi otimo, aprendi varias técnicas, e antes disso, já me considerava uma pessoa muito eficaz no sentido de obter soluções negociadas. Mas nada me preparou para alguem que simplesmente optou por nao escutar nenhum dos meus argumentos. No fim, tive que buscar uma solução alternativa para o impasse, até para podermos ir embora de lá!

No treinamento, aprendi que as pessoas tem diversos estilos de negociação: carpa, tubarão e golfinho. Eu sou muito carpa, e preciso ser mais golfinho, o meu desafio pessoal será esse. Na reuniao, analisei que essa pessoa é tubarão controlador, e no treinamento, tb observei pessoas tubarão desse perfil, e sabe que...no fundo, sinceramente...fiquei com pena delas? 

Porque o tubarão quer caçar, quer abocanhar tudo sozinho, quer vencer a qualquer custo... E são pessoas com nível de inteligência emocional baixíssimo. Egoístas, imaturos, com problemas de relacionamento com as pessoas. Um tubarão pode até achar que está ganhando, que deu a ultima palavra, mas nao consegue compreender os custos emocionais dessa tal "vitoria". 

Na ocasião que estou falando, o tubarão até achou que saiu ganhando, mas na verdade, perdeu. Porque nao sabe trabalhar em conjunto, nao tem espirito de equipe, nao tem humildade. E como alguem  cresce assim, sozinho, nesse mundo? Bjs.

segunda-feira, abril 21, 2014

Alergias e alegrias

Sou uma pessoa extremamente alérgica a algumas coisas simples e bonitas da vida. Por exemplo, brincos. Meus brincos lindos de aço cirúrgico estão me machucando, talvez por causa do calor, ou da umidade, ou algum fator misterioso. Entao decidi testar um daqueles brincos de farmácia, pequeninos, de bebê. Fui lá e escolhi um modelo. Putz, que decisão mais idiota!

Ja no primeiro dia, o treco começou a me incomodar, mas na bula estava escrito para ficar com o brinco, então eu (muito pouco inteligente) persisti, e consegui suportar o incômodo umas duas semanas. Mas chegou um dia em que não agüentei mais, estava inflamado, saindo pus, vermelho e doendo. Tirei fora aquela pecinha hiper contaminada e achei que ficaria bem. Ledo engano: piorou!!!! Hahahahaha....

No dia seguinte, a minha orelha parecia uma couve flor!!! Acho que a inflamação estava contida no brinco e depois se espalhou por toda região auricular, tudo que era possivel e imaginável kkkkkk....e fiquei simplesmente desesperada!! Fiquei desinfetando, mas parece que só piorava. Consegui marcar medico, mas para a semana que vem, então acabei fazendo algo que não gosto muito de fazer, pq por principio, não gosto de automedicação. Fui na farmácia e expliquei meu caso para o farmacêutico.

Ele me deu bronca, "moça, voce não devia ter ficado com o brinco na orelha. Você também não deve esperar até a semana que vem, passa esse xxxxxx que vai melhorar". Graças a deus (e ao bom moço), o remédio conseguiu parar a inflamação e não estou mais parecendo um hobbit!! E isso tudo teve um lado bom, porque marquei todos os meus medicos para esse mês e farei meu check up anual.

Hoje estava na farmácia de novo, pq é um dos meus lugares favoritos, além de livrarias (ou seja, hipocondríaca e estudiosa = combinação perfeita kkkk). E a atendente estava contando do caso de uma moça que vai lá na loja. Em teoria, a mulher só pode tomar "pílula do dia seguinte" uma ou duas vezes ao ano, porque esse negocio é forte e dá um revertério no organismo da mulher. Mas essa moça está tomando duas vezes por MÊS, como método contraceptivo!! Ou seja, é louca e está acabando com a propria saúde. Moça, toma pílula, injeção, usa diu (ou simplesmente camisinha né!!!). 

Eu nao sei se as farmácias podem vender pílula do dia seguinte sem receita medica (nao deveriam), mas como a eficácia dela diminui a cada dia que passa, imagino que é possível comprar com muita facilidade, porque tem que ser rápido. Mas marcar medico de um dia pro outro, aqui no Brasil, é uma missão impossível (olha o meu caso da orelha de hobbit: se fosse esperar minha consulta direitinho, teria virado um brócolis!!).

Mas na verdade, ja tomei pílula do dia seguinte há uns anos. Aconteceu que um dia, eu surtei e decidi que precisava porque precisava tomar a pílula, e como foi possível ilustrar no caso dos "brincos flamejantes", sou uma pessoa realmente teimosa quando quero. Entao fui lá no clinico geral e insisti, insisti, insisti, até que ele me passou a receita. Fui na farmacia, comprei o remédio, tomei, passei mal de cólica no dia seguinte, e depois de uns dias fui no meu medico. 

O mais engraçado é que quando a gente passa por uma consulta com seu medico, parece que as coisas voltam ao seu devido lugar. A primeira coisa que ele falou foi: "Erika, ok, voce tomou a pílula do dia seguinte, mas...e se voce ficasse gravida, qual é o problema?? Porque tem tanta gente, milhões e milhoes de pessoas, tentando ter um filho nesse exato momento, e nao conseguem. Se voce estivesse gravida, qual seria o problema? Voce tem saude, emprego, família, amigos, tudo. Voce pensou nisso?"

E a minha resposta, naquele momento, foi não.  Tinha esquecido de uma verdade tão simples como essa. Nao era o momento certo, nao era a pessoa certa, nao era nada certo, mas se eu tivesse ficado gravida, qual seria o grande problema? Se me faltasse dinheiro, trabalharia mais. Se me faltasse apoio, posso pedir ajuda da minha família. Amor, alegria e respeito não faltariam. Entao, hoje enxergo claramente que exagerei em uma coisa muito boba. Uma boa consulta medica faz toda a diferença, e espero que a moça citada acima consiga melhorar e ir num medico. Automedicação é ruim. Palavra de uma hipocondríaca! Bjs.

quinta-feira, abril 10, 2014

Pra que sofrer sozinho?


Foi uma coisa muito engraçada, porque nesses dias eu estava praticamente derramando lagrimas no escritório, desesperada por me deparar com tantas coisas pra fazer (além da TPM hahaha), daí o B simplesmente parou oque estava fazendo e me falou: "Erika, posso ajudar? Afinal, voce nao precisa sofrer sozinha!" (Pausa para muitos kkkkkkkkk....obrigada pela consideração B!!)

É incrível, porque eu sou uma pessoa (muito) inteligente, entao eu sei racionalmente que não preciso sofrer sozinha. Porém, acabo trabalhando muito sozinha, porque o meu escopo de trabalho é bastante especifico. Logico que sou uma boa lider e delego tudo que eu posso para outras pessoas (no caso, o B está apenas no segundo dia no escritorio. Daqui a alguns dias, ele vai estar tão ocupado quanto eu hihi...).

Mas na hora do "vamos ver", eu realmente sinto que estou sozinha. Sinto que a responsabilidade final é minha. Por isso ninguem fica comigo até 22:00 no escritorio vazio. Ninguem me acompanha aos sábados e domingos nos meus plantões. E nao estou me vangloriando do meu vicio em trabalho, porque sei que eu devia é me organizar melhor, ou mesmo me controlar melhor, para não trabalhar loucamente dessa maneira. Mas nao consigo!

Em essência, tudo isso é falta de planejamento da minha parte: em um mundo ideal, eu poderia cumprir minha jornada de horas diarias e conseguir cumprir as obrigações, descansando aos fins de semana. Estou construindo uma relação mais saudável com o trabalho, mas faltam menos de 90 dias. E com o esquema (pobre) que temos, é humanamente impossível me concentrar no evento sem ficar trabalhando de noite e aos finais de semana. 

Porque no horario do expediente, a gente acaba fazendo um pouco de tudo: atende telefone, carrega refrigerante, arruma mesa, tira copia, pega agua, prepara reuniao, acompanha a diretoria...tudo isso atrapalha o rendimento do trabalho, e nos obriga a sofrer um pouquinho mais pra fazer o evento com sucesso. De qualquer maneira, agradeço pela dica, B, pode deixar que nao vou mais sofrer sozinha. Vamos sofrer todos juntos que é mais gostoso!! Rsrsrsrsr...beijos!!

domingo, março 30, 2014

Lágrimas e chuva


Hoje foi um dia particularmente difícil pra mim. Precisava ir em uma missa de 49 dias e ando meio emotiva com essas coisas, por causa das fotos antigas do Seinen que andei mexendo e reflexões que tenho feito. Ainda bem que encontrei meus amigos por lá, e o pessoal do movi também, então foi tudo mais suave do que imaginava...

A missa reuniu muita gente e começou pontualmente. A gente chegou meio atrasado por causa da chuva forte que começou a cair sem aviso, no exato momento marcado para o inicio da missa. O barulho das gotas de chuva me fez pensar em lagrimas. Tomamos um pouco de chuva, mas sinceramente eu nao ligo muito (porque adoro chuva).

Enfim, sou realmente péssima para confortar as pessoas, porque não consegui realizar a homenagem que tínhamos pensado, e as palavras me faltam pra explicar o quanto essa amiga foi querida e importante na minha vida (e eu não consegui dizer isso pra ela). As minhas lagrimas não foram derramadas, porque eu sei que ela está bem e em paz. Isso que importa.

Encontrei um velhinho do Bunkyo e ele disse: "você não é do Bunkyo?", e eu respondi que sim, e que a A. tambem foi muito importante no Seinen Bunkyo. E ele, que é da diretoria da entidade, nem sabia que ela era voluntária (mesmo tendo encontrado ela varias vezes no prédio!! Afinal, o Bunkyo é um ponto turístico...). Enfim, velhinhos são velhinhos, sempre meio desligados! Temos que ter paciência com eles!

"A vida é muito importante.
É algo como uma pilha que faz o ser humano viver.
Mas uma pilha se gasta um dia.
A VIDA também acaba um dia.
Uma pilha pode ser trocada, mas a vida não pode ser trocada facilmente.
É algo que foi cedido por Deus depois de dias, meses e anos.
O ser humano não vive sem a vida.
Mas existem pessoas que jogam a vida fora,
Dizendo que não precisam mais dela, 
Mesmo podendo gastá-la bastante ainda.
Fico triste quando vejo pessoas assim
Pois a vida trabalha sem parar.
Por isso, até que a vida diga 'chega',
Vou viver ao máximo!"

Esse texto foi distribuido para todos e achei muito bonito. Tudo isso que aconteceu nos ultimos tempos me fez pensar (ainda mais) sobre o que é realmente importante em nossas vidas. Estou realocando as prioridades, colocando tudo em ordem, para que eu possa continuar vivendo ao máximo, feliz todos os dias, trabalhando, realizando meus sonhos e ajudando muita gente pelo caminho.

A nossa amiga era uma pessoa realmente muito querida, especial e iluminada. Agora ela está olhando pela gente lá de cima, distribuindo sorrisos, alegria e paz. Saiba que nunca vou me esquecer da sua luta. Inspirada em você, eu vou viver a vida ao máximo, agradecida por ter tido a oportunidade de conhecer alguém tão incrível como voce. Bjs eternos de alguém que te admira (e sente saudade).

sábado, março 29, 2014

Viciada (em franca recuperação)

Trabalho sempre foi um vicio gostoso pra mim (=virginiana). Trabalho remunerado, trabalho voluntário, tanto faz! Eu vivi assim por muitos anos, lembro inclusive de épocas em que tinha 2 empregos, ajudava no seinen e ainda estava na faculdade! Era uma pessoa um tanto estressada e me arrastava no metrô, dormia no ônibus, esquecia coisas e era muito chata. 

Ou seja, eu vivia completamente exaurida, e talvez me ocupasse tanto justamente para não ter que pensar na minha vida, refletir se aquilo estava me trazendo felicidade. Algumas pessoas são viciadas em drogas, outras em cigarro ou bebidas. O meu vicio, no trabalho, é mais simples e fácil de resolver. Hoje posso me considerar (quase) totalmente recuperada.

Eu digo "quase" porque imagina a cena: uma sexta feira, as 19:00 eu estava no escritório sozinha respondendo email, marcando reunião e anotando pendências da semana que vem, organizando minha agenda. E nisso recebi uma resposta do meu amigo (mais workaholic que eu). E pensei, "uma noite tao bonita, oque estou fazendo até essa hora no escritorio?"...Hahahaha...daí juntei minhas coisas e vim embora, e não trabalhei à noite!

Tenho me esforçado (muito) para não trabalhar em casa, até porque a minha vida profissional é repleta de sucesso, e sempre terei mais e mais trabalho pra fazer, então não adianta ficar trabalhando até o nível de burnout. No dia seguinte, tem mais coisa pra fazer, entao pq me estressar? Lógico, de vez em quando, tenho que trabalhar até mais tarde, ou de fim de semana, e tudo bem! Afinal, eu sei que com grandes poderes, vem grandes responsabilidades.

Por muito tempo, achei que a minha vida só seria realizada na esfera profissional, e sinto pena de mim, que vivi essa ilusão por tantos anos, e lamento pelas outras pessoas também, aquelas que perseguem um sucesso profissional ilusório, que na verdade, não traz felicidade. Finalmente entendi que o sucesso e a felicidade estão no equilíbrio entre os vários campos da nossa vida. E posso dizer com todas as letras: sou muito feliz!

Hoje eu consigo equilibrar muito melhor na minha vida o tempo para trabalho, saúde, família, amizades, voluntariado, estudos, diversão, relacionamento, realização de sonhos. Sei que viemos ao mundo com a missão de buscar a felicidade, fazer o bem para as pessoas. Definitivamente, nao estamos aqui só para trabalhar! O meu dia tem 24 horas, e agora, busco aproveitar cada minuto! Bjs!

terça-feira, março 25, 2014

Troublemaker!

A vida é muito engraçada. Os meninos me falaram de uma pessoa chata, disfuncional, prepotente, que causa problemas por onde passa, cultiva inimizades e se desentende com tudo e todos. Ninguem gosta dele(a), ou seja, trata-se de uma pessoa bem difícil (e olha que nós estamos acostumados a lidar com casos disfuncionais kkkkk). O dilema coletivo? Ele(a) tinha se inscrito pra ser voluntaria(o) no evento do fds. #comofaz?

Perguntinha básica: oque leva uma pessoa em sã consciência a freqüentar um lugar no qual as pessoas não gostam dela, ainda mais pra fazer trabalho voluntário? Será uma tendência masoquista? Será uma absoluta falta de simancol? Talvez falta do que fazer? De qualquer maneira, o jeito foi torcer pelo melhor e seguir em frente!

Eu tinha uma leve impressão de que eu conhecia essa pessoa (oque se confirmou mais tarde). O mais irônico, é que eu tinha uma boa impressão (kkkkkk eu sempre espero o melhor dos outros), mas é porque nunca trabalhamos juntos, temos convívio direto durante 3 dias ao ano, o que é muito pouco, se comparado aos outros, que conviveram mais. Por isso, a minha avaliação nao estava correta. Ainda bem que me alertaram!

Segundo o meu amigo, que tem tantos anos de trabalho voluntário quanto eu, esse foi o caso de voluntário mais complicado que ele já conheceu. Ou seja, não é brincadeira! E na verdade, a gente acaba lidando com muitos casos complicados em nossa vida de lideres de entidades nikkeis e projetos sociais. É dificil lidar com tantas expectativas e responsabilidades, mas nos esforçamos para fazer o melhor. 

O evento no final foi muito bom, deu tudo certo, e pelo que eu saiba, a pessoa (felizmente) não causou problemas pra ninguem. Eu pelo menos, vi muito esforço e humildade nos gestos dele(a). Desejo que essa pessoa tão complicada consiga amadurecer e entender algo essencial: acima de ego, holofotes e cargos, está o bem que fazemos para as pessoas. Essa é a causa pela qual trabalhamos e nos dedicamos. O resto é purpurina. Bjs.

domingo, março 23, 2014

A solidão nossa de cada dia


Sabe quando você está no meio de uma multidão, e mesmo assim se sente sozinho? De vez em quando, eu ainda sentia isso (hoje é muito raro). Estava conversando com meus amigos no Frans e falamos de um colega nosso, que segundo a opinião deles, é uma pessoa muito solitária, e eu nao tinha pensado a respeito. Na hora, pensei que gosto de ficar comigo mesma, e nao sou uma pessoa deprimida...muito pelo contrario!

Hoje, eu realmente considero que sou a melhor companhia que existe pra mim nesse mundo todo. Quando me permito ficar sozinha, me sinto bem feliz, tranquila, completa. Posso viver dias relaxantes, refletindo sobre a vida, organizando minhas idéias, criando planos mirabolantes. Aprendi a valorizar esses momentos preciosos de reflexão e crescimento. Lógico, eu busco alguém para compartilhar minha vida, mas nao aceito mais anular quem eu sou, para agradar outra pessoa.

Assisti ao filme "Ela", que é a historia de um escritor que vive de escrever cartas para outras pessoas (eis uma profissão que eu poderia seguir tranquilamente hehe, pq sou otima). Ele é muito solitário, magoado, critico e deprimido. Então, nesse mundo retratado no filme, as pessoas interagem com maquinas e avatares, mas nao conseguem estabelecer uma ligação mais profunda com outros seres humanos. Parece familiar?

Sabe um mundo em que as pessoas não olham para as outras e ficam entretidas olhando a telinha no celular? Pois é exatamente isso. Então o Theodore compra um novo sistema operacional (OS) que é dotado de consciência. E olha que consciência maravilhosa: a Samantha é a voz da Scarlett Johanson, e não tem um corpo físico, mas eles vão se tornando amigos. E com o tempo, acabam se apaixonando e virando "namorados", numa relação que é mais verdadeira, mesmo sendo virtual, do que todos os outros relacionamentos anteriores do Theodore. Muito louco isso!

Achei legal que o filme mostra como se constrói um relacionamento real. São aquelas pequenas histórias que vão sendo construídas junto com a pessoa, são os pequenos toques de delicadeza diária e cuidado com o outro, e ainda as palavras que confortam e encantam a alma. Todos esses elementos são ingredientes para um relacionamento amoroso saudável e gostoso. Eu quero tudo isso para mim, lógico, e o Theodore encontra esse verdadeiro amor na Samantha. E eles vivem essa felicidade não programada, mesmo sendo seres essencialmente diferentes.

Entretanto, algo se sobrepõe ao romance. Samantha, que é uma consciência imaterial e virtual, evolui infinitamente. Infelizmente, o Theodore, como nós todos, é um simples ser humano. Finito, físico, frágil, incompleto. Porém, algo dá errado na programacao infinita que criou os OS. Eles evoluem exponencialmente, de forma que as barreiras da nossa realidade e consciência ficam muito pequenas para eles. Nesse momento, o amor entre Samantha e Theodore chega a um impasse. Como vivenciar o amor, em dimensões tão diferentes? O desfecho é melancólico, mas pelo menos para mim, o filme do Spike Jonze suscitou muitos questionamentos sobre o amor, expectativa e relacionamentos. Bjs!