terça-feira, janeiro 28, 2014

Carta aberta de um coração remendado

Hoje, meses depois, admito. Estava muito dificil, dolorido demais, truncado. Precisava mesmo te esquecer. Ao mesmo tempo, sentia muita alegria, leveza, felicidade extrema. Paradoxo. Como pode algo ser tao bom e tão ruim ao mesmo tempo? Não tive escolha, resolvi deixar voce para trás. O passado passou e nao volta mais.


O sentimento que transbordava no meu coração era muito bom, mas ao mesmo tempo, me massacrava por dentro. Destruía meu bem estar, me deixava sem referencia, sem norte, sem rumo. Eu nao podia deixar esse barco correr solto no mar. Precisava retomar meu caminho.


Na minha vida, sempre tentei ter o "controle" de tudo. Virginiano é higienista, racional, pratico, metódico. Que eu me lembre, essa foi a primeira vez em que eu conscientemente me libertei das amarras, apostei todas as minhas fichas no sentimento, na emoção. All in, confiei nas minhas cartas, mas infelizmente, perdi a aposta. Perdi voce.


Tenho orgulho de dizer que eu tentei absolutamente de tudo. E voce voltou a conviver com as pessoas vazias que te rodeiam, viver a vida que voce escolheu. E eu aprendi muito. Aprendi a trabalhar sentimentos menos nobres, como magoa, frustração, raiva. Aprendi que tudo tem um motivo, e mesmo a tristeza traz uma lição importante.


Descobri a alquimia do sentimento. Transformar o que te machuca em força. Dessa maneira, pude acumular conhecimentos e me preparar para a proxima. É jogando que se aprende a jogar. E é amando que se aprende a amar. Perdoando, se aprende a esquecer. E eu esqueci. Adeus a voce, que tambem me esqueceu. Bjs.

 

segunda-feira, janeiro 27, 2014

Resumindo, eu não sou mulher-fruta

Esses dias estive de ferias no Rio. Foi uma viagem excelente e super maravilhosa. Porém, entretanto, todavia, contudo, os caras (chatos) não me deixavam em paz, toda hora com gracinhas e idiotices. Nessas horas, ficava me perguntando: "P#%&@, será que nunca viram uma japonesa??" (alias, só pra constar, eu me considero brasileira).


Segundo a P, no seu conhecimento empírico, os cariocas não estão muito acostumados a ver japonesas, turistas, sozinhas e bonitas. Ou seja, eu, sendo uma turista com cara de japonesa, sozinha e bonita, tive que me submeter a toda espécie de constrangimento estupido vindo de caras idiotas.


Porque enganam-se os homens que acham que uma mulher gosta de escutar esse tipo de coisa na rua e ser encarada como se fosse uma mercadoria na loja, uma picanha no açougue, um passarinho na petshop. A gente sente nojo, asco, repugnância. Vontade de bater. Vontade de xingar. Vontade de sair correndo!


Infelizmente, como esse comportamento subanimal é uma triste constante em nossas vidas, desde pequeninas, acabamos ficamos tão, mas tãaaaaaaaao cansadas disso, que no final, não xingamos mais, nem batemos, apenas aprendemos a ignorar. Mas conheço meninas que nao se cansam e continuam lutando bravamente pelos direitos das mulheres. Eu tento ignorar. Desconfio que até as mulheres-fruta não devem gostar disso.


Na rua, no transito, no transporte publico, todos os dias, estamos sujeitas à violência e ao constrangimento. De roupa "normal" te enchem o saco. De roupa "curta", a mulher "tá pedindo". Tá pedindo pra ser respeitada, confere, produção? Entao o que eu faço é ignorar isso. Ando na rua com mp3, óculos escuros, e ultimamente, incorporei um chapéu ao look diário. Brevemente, creio que vou pegar uma roupa do Batman e ver se assim param de me encher o saco.


Pena que afoguei meu mp3 na praia no penúltimo dia da viagem. Dai em diante, foi realmente "soda". Aqui em São Paulo existem (muitos) caras sem noção, mas nao é tao ruim como lá, pelo menos para mim foi mesmo péssimo. Eu nao dei permissão para um cara desconhecido se sentir no direito de vir falar m#&€@ pra mim na praia. Nao pedi a opiniao de um cara nojento sobre meu corpo. Posso estar de biquíni, de saia, de burca, e quero ficar em paz curtindo numa boa. Nessas horas, é realmente dificil ser mulher.


Eu odeio quando vem um cara nojento falar que sou "gostosa" ou que ele "quer me pegar" (FBI, policia, carrocinha, socorro??). É nojento, degradante, repugnante, absurdo e reflexo dessa sociedade machista em que vivemos, em que a mulher é considerada "propriedade" do homem (hahaha como se isso existisse). Somos oprimidas e desrespeitadas todos os dias.


Esse tipo de comportamento estúpido está até me fazendo mudar meus hábitos. Por exemplo, eu gosto de ir em festas e baladas. Mas nao gosto de caras totalmente desconhecidos me abraçando, pegando na minha mão, puxando meu braço, tocando na minha roupa, mexendo no meu cabelo. Alias, ODEIO quando alguém, que nao seja muito intimo, mexe no meu cabelo (ficadica).


Imagino que no dia a dia, um nikkei normalmente não faria isso, mas depois de chapar, eles simplesmente perdem a noção das coisas. Um cara me agarrou numa dessas festas, e o que eu podia fazer? Tem caras (alias, criminosos) que batem em mulher que dá o fora neles em festa. Já pensou se isso me acontece? Então, melhor evitar dissabores. Ficar em casa como uma freirinha (haha logico que estou brincando).


Pra nao dizer que só tenho experiências ruins, na praia, um cara veio falar pra mim "desculpa, moça, nao quero te atrapalhar, mas com todo respeito, só queria dizer que você é muito linda. Mandou bem". E pegou na minha mão e me cumprimentou. Ponto positivo para ele. Pediu licença, nao foi mal educado, foi gentil e bem humorado. Tudo bem desse jeito, aprovado, moço, não vou encrencar! :)


O outro moço no prédio. "Desculpa, moça, mas só queria falar que te vejo sempre e esse vestido ficou muito bonito em você". OK tambem, ficou muito elegante. Lembro até hoje de um grupo de caras, na avenida Paulista. O moço falou pro amigo: "voce disse que nao tinha japonesa bonita, olha uma japonesa bonita aí". E eu fiquei me achando hahahaha....da mesma forma, nao foi invasivo, foi bem humorado, foi respeitoso. Ou seja, bem que alguns homens podiam aprender com esses bons exemplos. Bjs.

domingo, janeiro 26, 2014

Status: de ferias

Tirei ferias pela primeira vez em muito tempo. Fui para o Rio de Janeiro sozinha. O B nao acredita, mas eu juro que fui sozinha! Fiquei lá uma semana, vivendo a vida de rainha que toda mulher merece: acordar cedo, tomar cafe da manha, ir para a praia, ficar lá tranquila com minha água de coco, depois almoçar, passear, depois mais praia, e banho gostoso, e de noite jantar e passear mais. Vida maravilhosa, concorda?


Comprei a passagem na promocao da Azul. Fiquei num hotel chamado Marbella, na Barra da Tijuca, que é zona oeste do Rio. Antes, a trabalho, tinha ficado no Flamengo, que é perto de tudo. Então, estranhei a principio - uma dica pra quem vai para o Rio é ficar em Copa, Ipanema, Leblon, etc: mais perto do agito, mas tambem muito mais caro. Para fazer os passeios, pegava onibus e ia pra Copacabana e pronto. Acostumei.


Um ponto positivo do hotel é que tinha uma equipe bem esforçada e ar condicionado no quarto. Lado negativo era a televisao poltergeist (que ligava e desligava do nada!), o chuveiro maluco (com duas temperaturas: gelando ou pelando) e a invasão de formiguinhas no quarto (imagina a beleza no dia que esqueci um docinho na mesa? Hahaha). Mas pelo valor super econômico da diária, nao posso reclamar de nada. E na verdade, até me identifico com as formigas, elas são trabalhadoras como eu. Rsrsrs...e gostam de doces...:)


Um lado bom de estar na Barra é que as praias sao mais tranquilas que na zona Sul. Eu gosto de praia só pra mim, nao com gente barulhenta do meu lado. Entao pra mim foi ideal, mesmo estando um pouco longe do centro. Faria novamente a mesma escolha, talvez só trocasse de hotel (haha). E encontrei um restaurante japa maravilhoso e baratinho no qual almocei todos os dias (muito chique né!), e tomei muito sorvete e açaí. Engordei um pouquinho, mas só de muita felicidade!


Nessa viagem, prometi pra mim mesma ficar longe de shopping (mania paulistana). Meus passeios foram todos na rua. Fui assistir o show lindo e maravilhoso do príncipe Paulinho da Viola no Circo Voador, assisti a montagem incrível do musical "The book of mormon" na Unirio, fiz compras em Copacabana, fui no Corcovado e tomei muito sol! Em resumo, que venham as próximas ferias!! Bjs.

sábado, janeiro 25, 2014

Bela? Bonita? Cuidado com a inveja!

Descobri porque algumas (poucas) pessoas (=mulheres) me odeiam. É porque eu sou bonita! Uma pesquisa da Mirian Goldenberg perguntou o que as mulheres mais invejam em outras mulheres. A resposta mais comum foi a beleza, em primeiro lugar, com o corpo como segunda escolha. Tem também esse artido do Pondè na Superinteressante, um tanto machista mas com algumas reflexões interessantes: Mulheres, usem sua beleza para conseguir coisas (aliás, como assim???!!!).


Eu sei que tem gente que gosta realmente de mim, e outros que me detestam, sem motivo algum. Vivo bem com isso, não me importo com a opinião e nem com a vida dos outros. Mas compreendo que existem pessoas que nao gostam de mim, torcem contra, sentem inveja. Felizmente, vivo em um universo de energia positiva, oferecendo pouco acesso para essas pessoas pequenas, com baixa luminosidade de alma.


Tenho meu jeito especial de falar com as pessoas, procuro ser gentil com quem me procura. De qualquer maneira, agradar a todos é impossível. Antes, eu nao me achava bonita, nem merecedora. Hoje eu sei que sou bonita. E mais importante que o meu corpo, a minha alma é bonita, meu coração é bonito. Porém, mulher bonita também sofre. Preconceito, por exemplo. "Ela é bonita, não pode ser inteligente". "Ela é tão delicada, nao deve ser competente". Todos os dias, supero esse tipo de bobagem.


Sou julgada pela minha aparência, nesse mundo machista e misógino em que vivemos. Se quero usar uma roupa de executiva, eu uso. Se quiser sair de kimono na rua, eu saio. Se quero usar uma saia curta, que fica (muito) bem em mim, por que nao? Ninguem tem nada a ver com isso! Tenho um estilo diferente de outras mulheres, sei o que cai bem em mim. Gosto de cores, texturas, brilho, detalhe e modelitos justos (hahaha) e tenho o direito constitucional de ir e vir do jeito que bem entender!


De qualquer maneira, muitíssimo obrigada às pessoas que me acham bonita e torcem por mim. Demorei muito tempo para reconhecer e valorizar a minha beleza interior e exterior. E espero que esse processo de auto-conhecimento seja valido para voce também. Quanto mais a gente se conhece, mais luz e beleza entra em nossas vidas.


Muito engracado é saber que a única pessoa cuja opiniao sobre a minha aparência física importa pra mim, nao me elogia pela minha beleza ou meu corpo. "Voce acha que eu sou bonita?", pergunto eu. E ele responde laconicamente: "voce sabe que eu acho". E dai ele elogia minha inteligência, minha alegria, minha solidariedade, minha bondade. Nao o meu corpo, meu físico, minha casca. Ele reconhece em mim a beleza da pessoa que eu sou. E é assim que deve ser. Bjs.

quarta-feira, janeiro 22, 2014

O essencial que é invisível aos olhos

Imagina por um momento, não ter um lugar para voltar no final do dia. Nao ter uma cama para deitar. Nao ter comida na mesa. Alias, nao ter nada, nem mesa, nem cama, nem casa. Não ter uma família para te apoiar. Ser ignorado todos os dias, horas e minutos. As pessoas desviando de você na rua, fingindo que nao te enxergam, sem disfarçar a repulsa.


O morador de rua é um ser invisível aos olhos do mundo. Passamos por eles, caídos na rua, pedindo esmola, desviamos o olhar, e não sentimos nada. O termo exato para isso é "cisão psíquica". Afinal, nossos olhos veem tanta injustiça, tanta coisa ruim, que acabamos nos acostumando ao mal e bloqueando nossos sentimentos, anestesiando nossas sensações e emoções para (sobre)viver na sociedade.


Eu comecei meu trabalho voluntário ha quase 15 anos, levando sopa para moradores de rua. A vida vai, a vida vem, e me afastei desse trabalho, e acabei me dedicando mais para as causas da cultura japonesa e da comunidade nikkei. Hoje, tantos projetos e eventos depois, senti a necessidade pessoal de fazer algo pelas pessoas que mais precisam. E fui ajudar na ceia de Natal dos moradores de rua, da ONG Anjos da Noite.


Uma coisa muito bacana é que cheguei lá sozinha, sem conhecer ninguem, na manha de sabado antes do Natal (sou uma pessoa corajosa né). É sempre muito bom quando as pessoas me tratam como a voluntária que eu sou. Sem privilégios, sem cargos, sem distinção: uma simples voluntaria como todos os outros que estavam la.


E fui cortar cenoura, picar salsinha, lavar panela, abrir panetone, montar kits e trabalhar bastante com o pessoal, o dia todo. Foi cansativo, corrido e maravilhoso! E a marmita hoje é mais sofisticada: arroz, feijão, seleta de legumes, batata e frango cozido. Comi dessa refeição e gostei muito do tempero, aprovadissimo rsrsrs....parabéns para a equipe da cozinha!!


De noite, fomos distribuir a comida na rua da Cantareira, perto do Mercadao. Fui com o pessoal acompanhando o carrinho de comida e doações, e fiquei impressionada com a lindeza no coração dos voluntarios. Uma delas sabe o nome de todos os moradores da região, onde eles dormem, qual está machucado. Ela pegou remédio e passou na perna do moço, sem hesitar. Ele estava meio bêbado, entao nao entendia direito o que se passava, nao podia agradecer. Mas ela ajudou mesmo assim, sem julgar, sem pensar, sem criticar.


É muito legal essa parte, de nao criticar nem tentar tirar as pessoas da rua. A ONG entende que cada pessoa tem seu caminho: se ela quer sair da rua, eles ajudam. Se ela nao quer sair da rua, eles ajudam do mesmo jeito, sem tentar evangelizar ou convencer ninguém da sua opiniao. Ajudar pura e simplesmente pelo prazer de ajudar alguém. E no final, quem é mais ajudado somos nós mesmos, os voluntarios. Porque essa energia boa, de amor puro, de sentimento bom, acaba influenciando nossas vidas para (muito) melhor...


Percebi que os moradores de rua são muito carentes de atenção, de um minutinho de conversa, um sorriso amigo. Voltamos para o ponto de encontro, e lá apareceu o sr. Denis. Ele é baiano de Irecê, filho da dona Maria, e está morando na rua há 3 anos.


O sr. Denis trabalha catando latinhas e faz artesanato com esse material. Ele me pediu para segurar os 3 sacos de latinhas que ele estava carregando (realmente muito pesado), para me mostrar que nao era "vagabundo". Ficamos conversando um pouquinho, estava com outro voluntário. Ele resolveu que queria nos presentear. Nada sofisticado, mas o sentimento dele era de oferecer alguma coisa pra gente, o que achei muito bonito. Ganhei um cinzeiro e uma mini-latinha, feitos por ele. já ganhei muitos presentes na vida, mas esse é especial. Seu Denis, nao vou me esquecer de voce.


Depois disso, fomos para o Pátio do Colégio, entregar mais refeições, doações e brinquedos. Uma coisa que me impressionou foi a educação e a ordem, todos foram respeitosos com os voluntarios e nao houve bagunça nem tumulto. E constatei de perto como estamos falhando enquanto sociedade. Muitos velhinhos e muitas criancas lindas morando na rua. O que estamos fazendo com o nosso mundo? O que estamos fazendo com as nossas criancas?


Ficamos la ate meia-noite, eu e o Y. Estava cansada e resolvemos ir embora, mas soube que o pessoal do Anjos da Noite ficou ate as cinco horas da manha distribuindo refeição na rua. Eu creio que nao existem palavras para definir a lindeza de tanto amor.


No dia 24, voltamos lá para ajudar. Eu fiquei de novo nas mesmas multi-funções, e o Y passou o dia todo cortando frango (coitado, mas ele adora frango!). De noite, ficamos muito cansados e nao fomos pra rua, porque tinha bastante gente pra ajudar. Enfim, foi uma experiencia muito boa e pretendo voltar mais vezes, porque eles preparam as refeições e vao pra rua todos os sábados.


Quando eu era pequena, lembro que meu tio trazia criancas de rua para a casa dele, dava banho, comida, brinquedos. A minha tia e as minhas primas nao entendiam bem. Eu tambem nao. Através dessa experiência, acho que consegui me aproximar do que o meu tio sentia. Temos tanto em nossas vidas, tantas oportunidades, possibilidades e sonhos. Por isso, a nossa missão é ajudar quem precisa de mais apoio. Uma lição de vida e amor. Bjs.